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Política – A discussão sobre o PL dos aplicativos — que trata da regulamentação de motoristas e entregadores — deve ficar em pausa até depois das eleições de outubro de 2026. A avaliação é do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT), que apontou a falta de consenso como principal obstáculo para o avanço da proposta no Congresso.
Em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (16), no Palácio do Planalto, Guimarães destacou que o governo optou por adiar a análise do tema diante de divergências entre empresas de tecnologia, trabalhadores e parlamentares. Mas o que está travando o projeto e o que pode mudar até lá?
Falta de acordo trava avanço do PL dos aplicativos
Segundo o ministro, o PL dos aplicativos não avançou porque nenhum dos principais envolvidos concorda com o texto atual. Plataformas digitais, entregadores e motoristas apresentam demandas diferentes, o que dificulta a construção de um consenso mínimo.
“Não tinha acordo sobre nada. Plataforma não concorda, entregadores também não. Como votar?”, afirmou Guimarães.
O projeto vinha sendo negociado pelos ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Guilherme Boulos, mas, mesmo após tentativas de ajustes, não houve convergência suficiente para levá-lo à votação.
Na prática, isso significa que temas como direitos trabalhistas, remuneração mínima e proteção social para trabalhadores de aplicativos continuam indefinidos no âmbito federal.
Governo teme desgaste político em ano eleitoral
Outro fator que pesou para o adiamento do PL dos aplicativos foi o risco de desgaste político. Guimarães comparou o tema à chamada “taxa das blusinhas”, que gerou repercussão negativa ao governo.
A avaliação interna é que levar o projeto adiante sem consenso poderia alimentar críticas tanto da oposição quanto de categorias afetadas.
Em ano eleitoral, esse tipo de debate tende a se tornar ainda mais sensível, o que reforçou a decisão de adiar a discussão para um momento considerado mais estável politicamente.
Relação com o Congresso é prioridade do governo
Ao assumir a articulação política, Guimarães destacou que o foco do governo será fortalecer o diálogo com o Congresso Nacional. Segundo ele, a aprovação de pautas prioritárias depende diretamente dessa aproximação.
O ministro citou a necessidade de intensificar conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para destravar propostas que estão paradas na Casa, como a PEC da Segurança.
“Cumprir combinado é o mais barato do ponto de vista político”, afirmou.
Endividamento das famílias preocupa governo
Além do PL dos aplicativos, Guimarães também chamou atenção para o aumento do endividamento das famílias brasileiras. Ele atribuiu o problema principalmente a dois fatores:
- Taxas de juros elevadas
- Crescimento das apostas on-line (bets)
O ministro criticou a manutenção dos juros em patamares altos, mesmo com a inflação controlada, e indicou que o tema deve ser discutido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias.
Debate sobre jornada de trabalho divide opiniões
Outro ponto abordado foi a possível redução da jornada de trabalho no Brasil, incluindo mudanças no modelo atual. O governo admite discutir uma transição, mas descarta, por ora, ampliar desonerações fiscais para empresas.
O tema gera divergência entre setores:
- Empresários apontam aumento de custos e impacto na competitividade
- Economistas defendem que mudanças devem vir acompanhadas de ganhos de produtividade
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais pode elevar os custos com empregados formais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, um aumento de até 7% na folha de pagamento.
O que esperar do PL dos aplicativos daqui para frente?
Com o adiamento, o PL dos aplicativos deve voltar à pauta apenas após as eleições, quando o cenário político tende a estar mais definido.
Até lá, a tendência é que o governo continue tentando construir um texto que equilibre interesses de trabalhadores, empresas e Congresso. A pergunta que fica é: será possível chegar a um modelo que agrade todos os lados, ou o impasse ainda vai se prolongar?
