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Política – A aprovação da proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados reacendeu o debate sobre segurança pública e responsabilidade criminal no Brasil. A medida recebeu apoio de parlamentares da oposição, enquanto integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) manifestaram posição contrária ao avanço da proposta.
O tema voltou ao centro das discussões políticas após a votação realizada nesta quarta-feira (10), gerando reações distintas entre representantes da direita e da base governista.
Oposição vê pressão política sobre governo
Para parlamentares da oposição, a discussão da redução da maioridade penal coloca o governo federal em uma situação delicada diante da opinião pública.
O deputado federal Ricardo Salles afirmou que a pauta representa um desafio para a esquerda, comparando o tema ao debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, frequentemente defendido por setores progressistas.
Segundo ele, trata-se de uma proposta com forte apelo popular, o que dificulta posicionamentos contrários por parte de partidos alinhados ao governo.
Pesquisa aponta apoio popular à medida
De acordo com levantamento divulgado pelo instituto Real Time Big Data em maio, a redução da maioridade penal conta com apoio expressivo da população.
Segundo os dados citados no debate, 90% dos entrevistados seriam favoráveis à medida. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o índice de apoio alcançaria 81%.
Os números ajudam a explicar por que o tema costuma gerar discussões intensas tanto no Congresso quanto nas redes sociais.
Integrantes do PT criticam proposta
Apesar do apoio popular apontado pelas pesquisas, dirigentes e integrantes do PT reforçaram a posição histórica do partido contra a redução da maioridade penal.
Gutierrez Barbosa, integrante do diretório nacional da legenda e coordenador do setor inter-religioso do partido, afirmou que o encarceramento precoce não representa a melhor solução para enfrentar a criminalidade juvenil.
Na mesma linha, o sociólogo Benedito Mariano classificou a proposta como demagógica e declarou esperar que ela não avance nas próximas etapas de tramitação.
Segundo Mariano, a participação de menores de idade em crimes representa uma parcela reduzida do total de ocorrências registradas no país.
Debate sobre segurança pública continua
A discussão sobre a redução da maioridade penal é uma das mais antigas e controversas do cenário político brasileiro. Defensores argumentam que a medida aumentaria a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves.
Já os críticos sustentam que o foco deveria estar em políticas de prevenção, educação, inclusão social e fortalecimento das medidas socioeducativas já previstas na legislação.
Após a aprovação na CCJ, a proposta ainda deverá passar por outras etapas de tramitação no Congresso Nacional antes de qualquer possibilidade de mudança na Constituição Federal.
O tema promete seguir mobilizando parlamentares, especialistas em segurança pública e a sociedade nos próximos meses, especialmente diante da forte repercussão política e popular que costuma gerar.

