Publicidade
Lula e Alcolumbre
Reprodução Agência Brasil
Getting your Trinity Audio player ready...

Política – A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, voltou a ganhar espaço nas articulações políticas em Brasília. Os dois se reuniram nesta quarta-feira (12), no Palácio da Alvorada, em um movimento que sinaliza uma tentativa de reconstrução do diálogo entre o Executivo e o Congresso.

O encontro ocorre em um momento estratégico para ambos. Lula busca avançar em pautas do governo antes das eleições de outubro e, caso conquiste um novo mandato, pretende iniciar a próxima gestão com uma base política capaz de garantir maior governabilidade. Alcolumbre, por sua vez, articula sua permanência na presidência do Senado a partir de 2027.

Reaproximação acontece após desgaste entre os dois

A relação entre Lula e Alcolumbre sofreu um forte desgaste após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

A votação ocorreu em um plenário influenciado politicamente pelo presidente do Senado e representou uma derrota para o governo federal.

Apesar do episódio, novas questões passaram a aproximar os interesses dos dois políticos. A eleição para a Presidência do Senado em 2027 é uma delas.

Alcolumbre enfrenta possíveis adversários no Senado

Para continuar no comando do Senado, Alcolumbre deverá enfrentar articulações de outros grupos políticos.

Entre os nomes que aparecem nas movimentações para disputar o cargo estão Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN), ambos ligados à oposição ao governo Lula.

Nesse cenário, o apoio de senadores de diferentes correntes políticas pode ser fundamental para Alcolumbre.

A direita e o PL também trabalham para ampliar sua presença no Senado nas eleições deste ano. Uma bancada mais alinhada ao bolsonarismo poderia mudar significativamente a correlação de forças dentro da Casa.

Lula também precisa olhar para o cenário de 2027

Para Lula, a composição do Senado após as eleições será igualmente importante.

O presidente busca um eventual quarto mandato e, caso seja reeleito, terá de lidar com um Congresso que pode apresentar uma configuração diferente da atual.

Uma das preocupações do governo é evitar que a próxima legislatura seja marcada por conflitos permanentes entre Executivo e Legislativo.

Por isso, a relação construída com o comando do Senado pode ter peso nas negociações de uma eventual nova administração.

O que pode acontecer antes das eleições?

Além das articulações eleitorais, o governo tenta avançar com projetos de interesse do Palácio do Planalto antes de outubro.

Entre as pautas está a proposta relacionada ao fim da escala de trabalho 6×1, cuja votação ainda não tem garantia de ocorrer antes das eleições.

O governo também pretende avançar em outras medidas, incluindo uma Medida Provisória relacionada à chamada “taxa das blusinhas” e um projeto que permitiria utilizar arrecadações extraordinárias provenientes do petróleo para reduzir ou eliminar impostos sobre combustíveis.

A tramitação dessas propostas dependerá da capacidade de negociação entre o governo e o Congresso.

O fator bolsonarista pode pesar nas negociações

Outro elemento que deve influenciar as articulações é o crescimento esperado da direita no Senado.

O PL e outros grupos de oposição trabalham para conquistar mais cadeiras nas eleições de 2026. Uma bancada maior poderia aumentar a pressão sobre o governo e também influenciar a disputa pela Presidência do Senado.

Para Alcolumbre, isso cria um cenário delicado: ao mesmo tempo em que precisa manter diálogo com a esquerda para fortalecer sua candidatura à reeleição, também pode precisar negociar com setores da direita para alcançar a maioria necessária.

Para Lula, a questão é igualmente estratégica. Um eventual novo mandato começaria diante de um Senado mais ou menos favorável ao governo, dependendo do resultado das urnas.

Por enquanto, a aproximação entre Lula e Alcolumbre representa mais uma tentativa de acomodação de interesses do que um acordo definitivo. O resultado das eleições de outubro e a nova composição do Senado serão determinantes para definir até onde essa reaproximação poderá avançar.

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Destaques ISN

Relacionadas

Menu