|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Um atropelamento registrado por câmeras de segurança revoltou moradores de Águas Claras, no Distrito Federal. Na noite de domingo (12), um motorista invadiu a calçada, atropelou um homem com deficiência visual que caminhava acompanhado de seu cão-guia e fugiu sem prestar socorro.
A vítima é o servidor público Vitor Uchoa, de 44 anos. Ele sofreu uma fratura no tornozelo e lesões em um dos braços após ser atingido por um veículo enquanto retornava para casa. O cão-guia, um labrador chamado Lord, escapou sem ferimentos.
As imagens mostram o momento em que Vitor atravessa a rua com o auxílio do animal. Após concluir a travessia e já estar sobre a calçada, um carro branco faz uma curva, sobe no passeio e atinge os dois. Com o impacto, homem e cão são arremessados ao chão.
“Eu tinha terminado o percurso, estava subindo a calçada. O Lord já tinha subido. Senti o choque do carro na minha perna direita e acabei sendo jogado para frente. Tive que colocar o antebraço para evitar um impacto maior e consegui não bater a cabeça no chão”, relatou Vitor.
Socorro veio de pedestres
Após o atropelamento, o motorista deixou o local sem parar para prestar assistência. Pessoas que passavam pela região correram para ajudar a vítima e acionaram o Corpo de Bombeiros.
Segundo testemunhas, Vitor estava confuso, sentindo fortes dores e tentando entender o que havia acontecido. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal realizou os primeiros atendimentos, imobilizou o membro lesionado e encaminhou a vítima para uma unidade hospitalar.
Apesar de ter recebido alta médica, o servidor permanece com o tornozelo engessado e deverá passar por exames complementares para avaliar a necessidade de cirurgia. Os médicos acompanham a recuperação para verificar se o osso fraturado está se consolidando corretamente.
Família teve a rotina transformada
A esposa de Vitor, Kelly Uchoa, contou que recebeu uma ligação do marido poucos minutos após o acidente. “Ele me ligou e pediu para eu ficar calma. Disse que tinha sido atropelado, mas que estava bem e se cuidando”, relatou. Moradora de São Paulo, Kelly explicou que a família precisou reorganizar toda a rotina após o ocorrido. O casal possui um filho em idade escolar e Vitor deverá permanecer afastado do trabalho durante o período de recuperação.
Além das dificuldades provocadas pela fratura, a condição visual da vítima torna o processo ainda mais complexo. “Ele não consegue e não pode colocar o pé no chão. Se ele usasse muletas, tudo bem. Mas ele não enxerga, então fica muito inviável”, afirmou a esposa. Ela também demonstrou preocupação com o cão-guia, que desempenha papel fundamental na mobilidade e autonomia do marido. “Imagina se acontece algo pior. Se ele tivesse atingido nosso cachorro, ele teria morrido. Não custava nada parar e prestar um suporte”, desabafou.
Motorista ainda não foi identificado
A família e moradores da região esperam que novas imagens de monitoramento ajudem a identificar a placa do veículo e localizar o responsável pelo atropelamento.
Vitor registrou a ocorrência na 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga. O caso deverá ser investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal.
Caso seja identificado, o motorista poderá responder por omissão de socorro, além de outras infrações que venham a ser apontadas durante a investigação.
O episódio gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou debates sobre segurança no trânsito, respeito às pessoas com deficiência e responsabilidade dos condutores.

