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Uma jovem de 19 anos foi mordida por um tubarão-tigre na tarde desta segunda-feira (1º), na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A vítima foi identificada como Marcela Vitória de Lima Santos, moradora de São Lourenço da Mata, no Grande Recife.
O ataque aconteceu por volta das 15h10, em frente ao cruzamento da Avenida Boa Viagem com a Rua Padre Bernardino Pessoa. Marcela estava na praia com familiares e amigos quando entrou no mar e foi atingida na perna direita.
Imagens registradas no local mostram o momento em que a jovem foi retirada da água por guarda-vidas, banhistas e familiares. Segundo o primo da vítima, o vigilante Jonas André de Lima, ele entrou no mar para socorrê-la após ouvir os gritos por ajuda.
Segundo relatos, Marcela já saiu da água sem a perna direita. “Eu mesmo que socorri ela no mar, entrei no mar porque ela estava um pouco mais se afastando, perdendo as forças. Aí eu peguei ela pelo braço, saí trazendo, puxando ela, nadando para a beira-mar, e o pessoal chegou e me ajudou”, contou o vigilante.
Um médico que estava a passeio na praia prestou os primeiros socorros antes da chegada do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo a equipe médica do Hospital da Restauração, o uso de torniquete foi fundamental para ajudar a conter o sangramento e salvar a vida da jovem.
Marcela foi levada inicialmente para o Hospital Alfa, em Boa Viagem, onde recebeu os primeiros atendimentos e foi estabilizada. Em seguida, foi transferida para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central do Recife.
Na noite desta segunda-feira, ela passou por uma cirurgia para conter o sangramento e tratar a área atingida. Segundo o médico Petrus Andrade Lima, diretor do Hospital da Restauração, a jovem chegou à unidade em estado de choque hemorrágico profundo e permanece em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O procedimento teve como objetivo estancar os vasos sanguíneos lesionados e preparar a área ferida para a continuidade do tratamento. A paciente ainda corre risco de infecção e pode precisar receber mais sangue durante a internação.
De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), este é o 84º incidente com tubarões registrado no litoral de Pernambuco desde o início da série histórica, em 1992. Também é o 25º caso registrado na praia de Boa Viagem, que concentra a maior parte das ocorrências.
A secretária executiva do Cemit, Danise Alves, afirmou que, pelas características do ferimento e por análise de imagens, o animal envolvido no ataque foi um tubarão-tigre adulto, com cerca de 3 metros de comprimento. Segundo ela, a espécie costuma ficar mais ativa no início da manhã e no fim da tarde, períodos em que busca alimento.
Apesar de não haver proibição de banho no trecho onde o ataque aconteceu, a região conta com placas de alerta sobre o risco de tubarões. Segundo o Corpo de Bombeiros, os banhistas devem evitar entrar no mar durante a maré cheia, redobrar a atenção em períodos de lua cheia, não usar joias ou objetos brilhantes e não entrar na água caso estejam com ferimentos ou sangramentos.
Menino também foi mordido um dia antes
O caso de Marcela foi o segundo incidente com tubarão registrado em Pernambuco em dois dias consecutivos. No domingo (31), o menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, foi mordido enquanto tomava banho na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife.
A criança foi atingida na coxa e na mão esquerdas, na altura da Rua Nossa Senhora do Loreto, por volta das 13h40. Segundo o Hospital da Restauração, João Lucas chegou em estado gravíssimo, com choque hemorrágico, e precisou passar por cirurgia.
O menino teve a perna esquerda amputada. De acordo com o diretor do HR, Petrus Andrade Lima, a lesão comprometeu toda a musculatura da perna e atingiu veias importantes, impossibilitando a revascularização do membro.
A mão esquerda também foi atingida, com fraturas no segundo e no terceiro metacarpos, mas foi tratada e suturada. O menino segue internado em estado grave, porém estável.
Segundo o Cemit, o animal envolvido no caso de João Lucas foi um tubarão cabeça-chata, espécie que costuma nadar em águas rasas em busca de alimento. No local do ataque, também não há proibição de banho, mas existem placas de alerta para o risco de tubarões.

