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Olá queridos leitores!
Quem nunca achou que ia morrer de amor? Pois te digo que já dizia Alcione… “De amor eu não morro, o que eu posso é chorar de saudade…”
Mas pior do que isso, de repente você se vê chorando no chão do quarto, por causa de alguém que você só “pegou” por algumas semanas. Se isso já te aconteceu, parabéns: você sobreviveu (ou está tentando sobreviver) a uma Situationship -relacionamento afetivo ou sexual que não tem rótulos definidos.
Como diz a música All Too Well da Taylor Swift “Cá entre nós, o caso de amor também te deixou muito mutilado?”
O termo em inglês parece complexo, mas a realidade por trás dele é dolorosamente familiar, principalmente pra a Geração Z e os Millennials. Trata-se daquele relacionamento sem compromisso, intensamente ambíguo, que dura cerca de três meses, mas que deixa um rastro de destruição emocional equivalente a um divórcio após vinte anos de casamento.
Quando tentamos explicar o drama para os nossos pais ou amigos, a reação geralmente é de perplexidade: “Mas vocês nem estavam namorando!”. Só que a ciência e a psicologia explicam que essa dor não é drama. Ela é real, é legítima e existem três motivos principais para o término de um “quase algo” doer tanto.
- A Psicologia alerta: você pode estar viciado(a)
A psicologia chama isso de reforço intermitente, e é o mecanismo mais viciante que existe para o cérebro humano. Em uma situationship, as regras não são claras. Em um dia, vocês têm conversas profundas de madrugada e sexo apaixonado; no outro, você recebe apenas respostas monossilábicas e vácuos eternos.
Segundo a terapeuta clínica Naomi Bernstein manter um envolvimento sem rótulos por muito tempo funciona como um combustível para a dependência emocional. Diante da falta de compromisso, os papéis se descompensam: enquanto um se distancia, o outro se prende ainda mais à espera de migalhas de atenção. Essa oscilação constante entre o carinho e o gelo cria uma dinâmica instável que sabota a estabilidade mental de qualquer um.
Essa instabilidade faz com que seu cérebro encare o outro como um prêmio imprevisível. Quando a pessoa finalmente dá atenção, você recebe uma descarga imensa de dopamina. Quando o rolo acaba, o estoque de dopamina zera abruptamente. Você não está apenas triste; seu corpo está, literalmente, passando por uma crise de abstinência química daquela validação.
- O luto pelo potencial (E a ilusão da perfeição)
Existe uma razão biológica para o teto dos três meses: esse é o período em que a fase da paixão avassaladora começa a dar espaço para o apego real. É quando quem está mais envolvido tenta “definir o relacionamento” e, muitas vezes, dá de cara com o muro da rejeição.
O grande problema de terminar nessa marca é que vocês foram interrompidos exatamente no meio da fase de lua de mel. Em três meses, não deu tempo de pegar ranço. Você não conheceu os defeitos dele, as manias irritantes ou o jeito chato de tratar os outros. Você não chora pelo que o relacionamento foi, mas sim pela projeção perfeita do que ele poderia ter sido. É o luto de uma fantasia.
Pra piorar, toda sua fonte de alegria, paixão e prazer, praticamente, sucumbiu… você está perdido(a), porque foi abandonado(a) justamente quando tudo estava indo maravilhosamente bem.
Só te sobrou a versão maravilhosa, agradável e encantadora da outra pessoa, afinal, você sequer teve tempo de viver “o lado ruim” do relacionamento.
- A autossabotagem da invalidação
Quando um namoro de anos termina, o mundo te dá permissão para sofrer. Seus amigos levam sorvete, atendem a todas suas ligações chorosas e validam sua dor. Mas quando o “rolo de três meses” acaba, a primeira coisa que fazemos é julgar nossos próprios sentimentos.
Pensamos: “Eu não tenho o direito de estar assim, nem éramos nada”. Tentar engolir o choro e fingir desapego é a receita perfeita para nunca se curar. Um relacionamento curto ainda é um relacionamento vivido. A rejeição dói igual, os planos frustrados machucam igual e a quebra de expectativa é real.
O veredito
Se você está sofrendo pelo fim de algo que mal começou, tire o peso da culpa das costas. A sociedade pode até não ter um rótulo oficial para o que você viveu, mas o seu coração sentiu o impacto.
Permita-se viver esse luto esquisito e desproporcional. E, se servir de consolo, lembre-se da Taylor Swift: relacionamentos de três meses podem até acabar com o nosso psicológico, mas são uma mina de ouro para a criatividade. Se não der namoro, que pelo menos vire uma excelente história para contar no bar (ou uma coluna de portal!).
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