Publicidade
Seminário Internacional do Café Crédito das fotos : José Luiz Borges
Seminário Internacional do Café Crédito das fotos : José Luiz Borges
Getting your Trinity Audio player ready...

As tendências de consumo e o avanço dos cafés especiais como indutores de novos hábitos ditaram o encerramento dos debates do segundo dia do XXV Seminário Internacional do Café, evidenciando a urgência de o Brasil romper barreiras para internacionalizar seu produto industrializado e reter maior valor na cadeia global. O fórum terá sequência nesta quinta-feira (21), com o último dia de atividades programado para começar às 9 horas, no Santos Convention Center.

Conforme palestrantes, o grande objetivo estratégico para os próximos anos deve ser expandir, mundialmente, o alcance das marcas torradas e moídas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Pavel Cardoso, provocou o setor a investir de forma mais agressiva em promoção comercial externa. “A nossa responsabilidade remete ao próximo desafio, que é exportar nosso produto industrializado”.

O posicionamento ocorreu durante o painel “Demanda e Tendência”, que foi mediado pelo executivo de vendas da JDE Cafés do Brasil, Emerson Guimarães, e que contou também com o diretor-executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Vinicius Estrela. Este último, por sinal, trouxe o diagnóstico econômico de um mercado que movimenta R$ 123,5 bilhões anuais no País. Desse total, R$ 78 bilhões vêm do consumo externo, e R$ 46,4 bilhões, do interno. Este montante corresponde a 1,07% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Ainda sobre o mercado local, Guimarães confirmou a soberania cultural da commodity no cotidiano do País: o café é a segunda bebida presente nos lares brasileiros, sendo superado apenas pela água, registrando 97% de presença em cerca de 72 milhões de residências. “Por que somos apaixonados? Porque está presente em nosso dia a dia. Acordamos tomando café, ele também é fonte de energia ao longo do dia e também nos reseta”, afirmou.

Neste cenário, como ressaltou o mediador, quem vai crescendo é o nicho de cafés premium. Atualmente, 70% dos consumidores já provaram a versão premium.

Diante dessa evolução no perfil de consumo, o diretor-executivo da BSCA, Vinicius Estrela, explicou que o mercado de cafés especiais tem moldado as novas tendências ao deixar de ser apenas funcional para se tornar cultural e identitário. De acordo com o executivo, as novas gerações buscam mais do que um ingrediente: exigem experiências personalizadas, transparência e rastreabilidade da origem até a xícara. “O café especial influenciou toda a linguagem do mercado”, destacou Estrela.

Tecnologia

A disrupção promovida pela inteligência artificial (IA) e o seu papel como vetor de eficiência no ambiente corporativo ganharam espaço nas discussões promovidas pelo seminário. O debate evidenciou que a tecnologia exige profunda transformação na mentalidade gestora, com impactos diretos na modernização do agronegócio e, especialmente, do setor cafeeiro.

“Inovação é mais uma questão de óptica, um jeito de ver o mundo, do que de grandes investimentos em tecnologia”, pontuou o publicitário e administrador Walter Longo, especialista em inovação e transformação digital. No painel “Inteligência Artificial – Protagonismo nos Negócios”, o especialista alertou que investir em tecnologia é insuficiente se mantidos os paradigmas do passado. Aplicada ao campo, essa virada de chave reconfigura o cultivo. “Podemos fazer monitoramento, redução na aplicação de herbicidas, antecipação estatística de demanda, previsão de colheita e controle de pulverização”, exemplificou, apontando os eixos de otimização para os cafeicultores.

Essa guinada ganha eco na transformação de dados complexos em vantagens competitivas para a cafeicultura. “Um grão de café carrega toda a sua história nele”, sublinhou o PhD Guilherme Post Sabin, fundador e CEO da OpenScience, que apresentou soluções de inteligência analítica focadas em democratizar o acesso à ciência de ponta para produtores, traders e cooperativas.

Sabin elencou ferramentas práticas da IA que atendem desde o manejo no campo até o comércio, abrangendo a consistência da safra, sistemas avançados de classificação de grãos, análise de compostos tóxicos e mapeamento de atributos sensoriais. “Imagina usar esse tipo de tecnologia e, em um minuto, ter várias informações, em vez de depender da análise manual de 2.500 amostras de café por dia”, destacou o cientista.

Especificamente na cafeicultura, as principais frentes de aliança com a IA envolvem a precisão na previsão de safra, classificação inteligente, identificação do ponto exato de maturação do fruto, colheita seletiva e a manutenção de uma torra consistente. No ambiente de negócios do café, essas ferramentas automatizam processos de ponta a ponta, reduzindo erros na linha de produção e eliminando custos de refação.

Essa reestruturação impõe o que Longo denominou como “modelo de leveza estratégica”, onde a inteligência analítica permite que empresas de torrefação e exportação faturem mais sem inflar custos fixos. “Com a IA, o leve é o novo forte. Não é preciso dobrar a estrutura para dobrar o faturamento”, defendeu o administrador.

Publicidade

Destaques ISN

Relacionadas

Menu