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Um caso de tortura e maus-tratos deixou a cidade de São Paulo estarrecida nesta segunda-feira (11/05), quando um menino de 11 anos foi encontrado morto na casa onde vivia com sua família, no bairro Cidade Kemel, zona leste da capital paulista. O corpo de Kratos Douglas foi encontrado por socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que, ao atenderem a ocorrência, notaram sinais claros de maus-tratos e informaram a Polícia Militar (PM).
Acorrentado para “não fugir”
Ao chegarem no local, os policiais encontraram o menino caído no chão, perto de uma cama, com hematomas visíveis nos braços, nas mãos e nas pernas. O pai da criança, Chris Douglas, foi preso e admitiu que mantinha o filho acorrentado para evitar que ele saísse de casa. Segundo o depoimento do pai, ele tinha o hábito de prender Kratos para impedir que ele fugisse para a rua, mas negou que tenha praticado outros tipos de violência contra o filho.
A Polícia Militar e a Polícia Civil investigam agora o que realmente aconteceu nos últimos dias de vida da criança e se houve outros abusos. O caso foi registrado como tortura.
Vítima não estava matriculada na escola e apresentava sinais de desnutrição
De acordo com a polícia, Kratos não estava matriculado na escola e apresentava sinais claros de desnutrição, o que leva a crer que o menino não recebeu cuidados adequados de sua família. Outras duas crianças, um de 2 anos e outro de 12 anos, também foram encontrados na residência. Um dos irmãos tem diagnóstico de autismo e foi acolhido pelo Conselho Tutelar, juntamente com o outro.
Madrasta e avó paterna sabiam e não tomaram providências
A madrasta e a avó paterna de Kratos, que moravam na mesma casa, disseram em depoimento que estavam cientes de que o menino era acorrentado, mas não tomaram nenhuma atitude para impedir os abusos. Elas não foram presas, mas, segundo a polícia, estão sendo investigadas por tortura e negligência.
Investigações em andamento e comunidade em choque
O caso gerou indignação em São Paulo e está sendo acompanhado de perto pela comunidade e pelas autoridades. A residência onde o menino viveu foi periciada, e a Polícia Civil segue investigando o que motivou o comportamento extremo do pai, além de outros possíveis abusos que Kratos possa ter sofrido.
A história de Kratos é um reflexo de uma realidade ainda presente em diversas partes do Brasil, onde a violência doméstica e a negligência infantil continuam a ser questões graves e recorrentes. A investigação segue em andamento, e a polícia promete agir com rigor para responsabilizar os envolvidos.
Desdobramentos do caso
A família de Kratos, que se mudou de Bauru para São Paulo em 2024, vai continuar sendo investigada, e as autoridades buscam entender como uma criança de 11 anos pôde viver sob essas condições extremas sem que medidas de proteção fossem tomadas. A ação das autoridades, agora, é focada em garantir que os outros dois filhos da família sejam devidamente acolhidos e recebam o suporte necessário para superar esse trauma.

