Publicidade
Macron critica Trump
Reprodução internet
Getting your Trinity Audio player ready...

Mundo – O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta-feira (21) o uso dos problemas internos do país por líderes estrangeiros em campanhas eleitorais. A declaração foi interpretada como uma indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem associado os recentes protestos franceses à imigração e alertado para riscos semelhantes em território americano.

Durante uma visita ao Catar, Macron afirmou que a França já enfrenta dificuldades e não precisa que outros países explorem a situação politicamente. O presidente também anunciou que se reunirá com os serviços de inteligência na quinta-feira (22), antes de novas manifestações previstas para sábado (24).

Macron declarou que não houve interferência estrangeira visível nos acontecimentos que desencadearam os distúrbios, mas afirmou que agentes de outros países manipularam informações após os episódios de violência.

Trump associa protestos à imigração

Trump utilizou as manifestações francesas como argumento em sua campanha para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente americano atribuiu a crise francesa à imigração e defendeu o fechamento das fronteiras.

Durante um comício no Kansas, o republicano também afirmou que os Estados Unidos poderiam enfrentar um cenário semelhante ao francês caso os democratas conquistassem a maioria no Congresso.

As declarações ocorrem em meio à campanha eleitoral americana, com pesquisas indicando dificuldades de aprovação para o governo Trump.

A analista de relações internacionais Fernanda Magnotta avaliou que o discurso do presidente americano mistura questões diferentes. Segundo ela, os protestos em países europeus estão relacionados principalmente à insatisfação com os serviços públicos, a qualidade da educação e a elevação do custo de vida.

Embora a violência registrada na França tenha chamado a atenção internacional, as manifestações também refletem problemas sociais e econômicos que ultrapassam a questão migratória.

França prepara reforço policial para novos atos

As autoridades francesas anunciaram uma presença policial reforçada para as manifestações previstas para sábado. O governo também manteve medidas localizadas de toque de recolher pelo segundo dia consecutivo, após os distúrbios registrados no fim de semana.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que as restrições ajudaram a preservar a tranquilidade durante a noite entre segunda-feira (19) e terça-feira (20). Ele também reconheceu falhas dos serviços de inteligência na avaliação da gravidade da situação e considerou que as estratégias de segurança anteriores eram excessivamente estáticas.

Em Paris, a polícia anunciou restrições noturnas a partir das 23h de terça-feira nas regiões mais afetadas, incluindo áreas próximas à Place de la République e a Les Halles. Outras cidades, como Bordeaux e Lille, também adotariam medidas semelhantes.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, lamentou a violência e assumiu parte da responsabilidade pela resposta das autoridades. Ao mesmo tempo, apontou a atuação de opositores políticos e de pessoas envolvidas nos atos de destruição.

Sindicatos convocam novas manifestações

A União Nacional dos Estudantes da França (UNEF), uma das principais organizações estudantis do país, convocou novos protestos para sábado e afirmou que continuará mobilizada até que suas reivindicações sejam atendidas.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das maiores centrais sindicais francesas, também anunciou participação nas manifestações e defendeu que os atos ocorram de maneira pacífica.

A nova mobilização acontece após um fim de semana marcado por confrontos e destruição em diferentes regiões da França. Mais de 2 mil pessoas foram presas, segundo os números divulgados sobre as operações policiais. O balanço também inclui pelo menos duas mortes e relatos de ferimentos graves, entre eles casos de pessoas que perderam as mãos.

A crise ampliou a pressão sobre o governo francês, que tenta conter a violência e responder às reivindicações sociais. Com novos protestos previstos, as autoridades se preparam para um fim de semana de tensão, enquanto Macron também busca evitar que os acontecimentos sejam transformados em instrumento de disputa política internacional.

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Destaques ISN

Relacionadas

Menu