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Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
Reprodução internet
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Política – Líderes governistas no Congresso Nacional articulam a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz. Até 20 de outubro de 2026, o requerimento reunia 100 assinaturas, sendo 85 de deputados e 15 de senadores.

Para atingir o número mínimo exigido, o pedido precisa de 198 assinaturas, distribuídas entre 171 deputados federais e 27 senadores. Mesmo com o quórum alcançado, a instalação da comissão depende da leitura do requerimento pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), afirmou que o governo está disposto a apoiar investigações e cobrou reciprocidade da oposição. Segundo ele, parlamentares governistas assinaram um pedido de CPMI apresentado por oposicionistas para apurar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Roberta Luchsinger.

Uczai defendeu que aliados de Flávio Bolsonaro também apoiem a abertura da comissão destinada a investigar as relações do senador com Willer Tomaz.

O que a CPMI pretende investigar

O requerimento foi apresentado por Pedro Uczai e pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE). A proposta prevê uma comissão formada por 16 senadores e 16 deputados federais, com prazo de funcionamento de 180 dias.

O objetivo é apurar dois conjuntos de fatos que já são alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).

O primeiro caso envolve o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi aberta em julho pelo ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal (PF) e com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os investigadores apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento da produção.

Negociações envolvendo o filme sobre Jair Bolsonaro

Mensagens e áudios divulgados em maio indicaram negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre possíveis aportes de até US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões na época.

De acordo com uma delação homologada em setembro, sete remessas que totalizaram US$ 12,3 milhões foram enviadas em 2025 ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.

A Polícia Federal também investiga se parte dos recursos foi utilizada para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. As suspeitas ainda estão sob apuração.

Investigação envolve Willer Tomaz e empresas

O segundo conjunto de fatos tem origem em um inquérito encaminhado pela Polícia Federal ao STF em 8 de outubro, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A apuração começou com investigações sobre plataformas de pagamento e apostas e passou a incluir o advogado Willer Tomaz.

Em agosto, Tomaz foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o requerimento da CPMI, a Polícia Federal identificou elementos que justificariam investigar uma possível participação econômica de Flávio Bolsonaro em empresas ligadas ao advogado.

Entre os pontos citados estão:

  • O cadastro de Flávio Bolsonaro como usuário master da conta da Alcazar Holdings, empresa da qual Willer Tomaz é o único sócio formal.
  • Um pedido de desvinculação do senador da conta, encaminhado ao banco em 22 de maio de 2025.
  • O custeio de viagens de Flávio e de familiares pela Cathedral Holding, acionista única da Rede Loto, empresa de apostas credenciada no Rio de Janeiro.
  • A movimentação de aproximadamente R$ 130 milhões, entre março e maio de 2025, em uma conta relacionada ao advogado.

Os registros mencionados no requerimento são apontados como elementos a serem examinados pela comissão, caso seja instalada.

Jato particular conecta os dois casos

As investigações também têm em comum uma aeronave ligada a empresas e pessoas citadas nos inquéritos.

A Alcazar Holdings possui participação em um jato do qual Daniel Vorcaro também foi cotista. Flávio Bolsonaro utilizou a aeronave em uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil, em janeiro de 2025.

Willer Tomaz viajou para o exterior com a família poucos dias depois de o inquérito relacionado a ele chegar ao STF. A Polícia Federal avalia se o deslocamento teve como objetivo evitar eventuais medidas cautelares.

O requerimento apresentado pelos parlamentares prevê investigar as relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, além dos vínculos de ambos com a Alcazar Holdings e Daniel Vorcaro.

A eventual instalação da CPMI dependerá da obtenção das assinaturas necessárias e do cumprimento dos procedimentos previstos no Congresso Nacional.

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