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Política – A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação de inquéritos que investigam o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeitas de tráfico de influência no governo federal.
Os investigadores argumentam que o prazo inicial de 60 dias foi insuficiente para concluir as apurações e que ainda há diligências relacionadas ao Ministério da Saúde, à Dataprev e a outros órgãos públicos.
Os pedidos foram encaminhados em 2 de outubro ao ministro André Mendonça, relator de dois dos procedimentos. Os casos envolvendo Lulinha, entretanto, estão sendo direcionados ao gabinete do presidente do STF, Edson Fachin. Até 20 de outubro, não havia decisão sobre as solicitações.
Em manifestação, a PF afirmou que a extensão do prazo é necessária para concluir as diligências e avaliar a necessidade de novas medidas investigativas.
PF apura movimentações financeiras e viagens
Entre as medidas solicitadas pela corporação está a elaboração de relatórios técnicos para esclarecer as relações de Lulinha, da empresária Roberta Luchsinger e de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, com empresas e agentes públicos.
Os investigadores também buscam rastrear movimentações financeiras ligadas aos negócios sob suspeita e identificar quem custeou viagens realizadas por Lulinha e Roberta desde 2023.
Um dos deslocamentos analisados ocorreu em junho de 2024, quando os dois viajaram a Portugal. A PF apura a coincidência entre essa viagem e a ida de Antunes ao mesmo país dias depois.
Outra frente de investigação busca verificar se negociações atribuídas ao grupo tiveram relação com normas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre cannabis medicinal.
A corporação também pretende aprofundar a apuração sobre outros nomes citados nos procedimentos, entre eles o empresário Fernando Bittar e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.
Defesas contestam prorrogação das investigações
A defesa de Roberta Luchsinger afirmou que não existem motivos para prolongar as apurações e defendeu o arquivamento do inquérito. O advogado Roberto Podval argumentou que o procedimento já dura cerca de um ano sem elementos que justifiquem sua continuidade.
Os advogados de Lulinha, por sua vez, classificaram as novas medidas como uma fishing expedition, expressão usada para criticar investigações que procuram possíveis irregularidades sem uma hipótese suficientemente delimitada.
Segundo a defesa, a suspeita inicial era de que o empresário receberia R$ 300 mil mensais por meio de Roberta Luchsinger. Os advogados afirmam que os extratos bancários foram disponibilizados às autoridades e não registram pagamentos da empresária a Lulinha.
A defesa também criticou a análise de passagens aéreas e outras informações pessoais, alegando que a investigação estaria ampliando seu escopo sem comprovar a hipótese original. Os advogados disseram confiar que o STF não autorizará uma investigação sem objeto definido.
Entenda as três investigações contra Lulinha
Lulinha é alvo de três inquéritos no STF. Dois são relatados por André Mendonça e envolvem suspeitas de favorecimento empresarial no Ministério da Saúde e na Dataprev. O terceiro, sob relatoria do ministro Flávio Dino, tramita sob sigilo e investiga possíveis relações entre pessoas suspeitas de atuar para beneficiar empresas junto ao governo federal.
1. Suspeita de favorecimento no Ministério da Saúde
O primeiro inquérito apura se Lulinha teria atuado para favorecer uma empresa ligada a produtos medicinais à base de cannabis em negociações com o Ministério da Saúde.
A investigação foi solicitada pela PF em 24 de julho e autorizada por André Mendonça em 30 de julho.
O caso envolve Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pelos investigadores como um dos operadores de um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A PF apura a hipótese de que Lulinha teria sido sócio oculto de Antunes em negócios relacionados ao setor de cannabis medicinal.
A defesa do empresário afirma que ele conheceu Antunes em 2024, por intermédio de Roberta Luchsinger, e nega que tivesse conhecimento das fraudes investigadas no INSS.
2. Contratos envolvendo a Dataprev
O segundo inquérito busca esclarecer se Lulinha teria tentado favorecer a empresa de tecnologia 3Structure IT LTDA em contratos com a Dataprev, estatal responsável por soluções de tecnologia da informação para a Previdência Social.
A empresa possui contratos com o governo federal que somam aproximadamente R$ 55,7 milhões, segundo as informações apresentadas na investigação.
A PF suspeita de uma possível atuação conjunta de empresários e intermediários para viabilizar contratos públicos. A Dataprev negou ter acordos com a companhia citada na apuração.
Em manifestação, a 3Structure afirmou que venceu processos de contratação em conformidade com as regras aplicáveis, que seus contratos passaram por auditorias e que não houve intermediação irregular.
3. Suspeitas envolvendo o gabinete presidencial
O terceiro inquérito foi autorizado por Flávio Dino em 4 de agosto e tramita sob sigilo. A apuração investiga a possível atuação de um grupo para favorecer empresas perante órgãos federais.
Entre os nomes citados está Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que chefiou o gabinete de Lula e deixou o cargo em 21 de julho de 2026.
Segundo elementos reunidos pela PF, mensagens trocadas entre Lulinha e Roberta Luchsinger indicariam reuniões de negócios com Marcola e com Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Os investigadores também analisam uma conversa na qual Marcola teria recebido de Roberta um modelo de contrato para o Ministério da Saúde sem necessidade de licitação. Outro elemento sob apuração é a informação de que a empresária teria comprado joias de diamante avaliadas em R$ 9,2 mil para o ex-chefe de gabinete.
As suspeitas ainda dependem do esclarecimento dos fatos pelas autoridades. A solicitação de prorrogação dos inquéritos busca permitir que a PF avance nas diligências antes de definir os próximos passos das investigações.

