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O Master como um iceberg                       

 

Um iceberg é uma visão impressionante. Assustadora. Um bloco de gelo gigantesco. A lembrança imediata que vem é a do afundamento do Titanic.

O que a gente não lembra, diante de um iceberg, é que aquele gigante visível representa menos de 10% do colosso de gelo.

Mais de 90% estão submersos. Isso acontece porque o gelo que forma o iceberg tem uma densidade de aproximadamente 0,92 g/cm³, enquanto a da água do mar, que contém sal, é um pouco maior, de mais ou menos 1,03 g/cm³.  

O escândalo do Banco Master tem características muito semelhantes à do iceberg.

A parte que mobilizou a opinião pública do país durante a maior parte do período eleitoral, o escândalo do envolvimento de ministros do Supremo com Vorcaro, principalmente Alexandre de Moraes, representa menos de 10% do total.

Os 90 % submersos estão espalhados por prefeituras, governos de estado, parlamentares que despejaram dinheiro público nos cofres do banco. Dinheiro público aos borbotões, como se dizia no século passado. E muitos desses estão disputando as eleições.

O ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, por exemplo, aplicou alguma coisa entre R$ 3 e 4 BILHÔES da previdência estadual no banco de Daniel Vorcaro.

O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, tentou comprar o banco em vésperas de se tornar massa falida.

O senador Ciro Nogueira apresentou uma emenda no Congresso propondo que o ressarcimento do Fundo Garantidor de Crédito fosse quadruplicado de R$ 250 mil para R$ 1 milhão para ajudar nas negociações de salvamento do Master e do seu dono. A desfaçatez era tão grande que esse projeto era chamado no Congresso de Emenda Master.

Os R$ 130 milhões do contrato da esposa de Moraes com o banco deveriam ter levado o ministro a renunciar imediatamente. Já era um episódio vergonhoso, ainda que não houvesse crime, mesmo antes da revelação das conversas entre ele e o estelionatário.

Mas é exatamente o mesmo valor que Flávio Bolsonaro foi flagrado cobrando de dono do banco na véspera da prisão dele.

Mesmo valor e mesma finalidade: tráfico de influência. Ou alguém acha que um bandido como o Vorcaro “investiu” no filme por interesse cultural ou de lucro?

 Os menos de 10% do escândalo Master que monopolizaram as atenções do país durante quase todo o período da campanha eleitoral estão concentrados nos ministros do Supremo e nas brigas entre eles. Mas os ministros do Supremo não disputam eleições. Enquanto isso, os 90% do escândalo ficaram submersos, quase invisíveis. Mas os enlameados por essa montanha de dinheiro imundo, prefeitos, governadores, parlamentares, esses sim, estão disputando as eleições.

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