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Saúde – Um estudo com 5.520 pessoas com 50 anos ou mais revelou que a combinação entre obesidade abdominal e deficiência de vitamina D pode aumentar em 123% o risco de morte, mais que o dobro em comparação com pessoas que não apresentam nenhuma das duas condições.
A pesquisa reforça a importância de controlar o acúmulo de gordura na região abdominal e monitorar os níveis de vitamina D, especialmente durante o envelhecimento, para reduzir o risco de doenças e mortes prematuras.
Estudo acompanhou mais de 5,5 mil pessoas por seis anos
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em colaboração com pesquisadores da University College London (UCL) e contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Os pesquisadores acompanharam 5.520 participantes com 50 anos ou mais durante um período de seis anos, utilizando dados do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos sobre envelhecimento do mundo.
Os resultados foram publicados em maio na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism.
Combinação das duas condições aumenta o risco de mortalidade
Segundo o coordenador da pesquisa, Tiago Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar, cada condição já representa um fator de risco isoladamente, mas os efeitos se tornam ainda mais preocupantes quando ocorrem simultaneamente.
“A obesidade abdominal é um conhecido fator de risco por estar associado à inflamação e a problemas metabólicos. Já a vitamina D é um hormônio que atua em vários órgãos, e sua deficiência compromete diversas funções do corpo. Quando essas duas condições aparecem juntas, uma potencializa os efeitos da outra, elevando ainda mais o risco de morte.”
Deficiência de vitamina D pode ser mais perigosa que gordura abdominal isolada
Os pesquisadores observaram que a deficiência de vitamina D, quando presente sozinha, esteve associada a um aumento de até 81% no risco de morte.
Já a obesidade abdominal isolada elevou esse risco em 47%.
No estudo, foi considerada obesidade abdominal a circunferência da cintura superior a:
- 102 centímetros para homens;
- 88 centímetros para mulheres.
Gordura abdominal interfere na ação da vitamina D
De acordo com os pesquisadores, a gordura abdominal dificulta o aproveitamento da vitamina D pelo organismo.
Isso ocorre porque parte da vitamina é armazenada nas células de gordura, reduzindo sua disponibilidade na corrente sanguínea para exercer funções importantes em diferentes órgãos.
Além disso, pessoas com obesidade costumam apresentar menor circulação de vitamina D, o que compromete o funcionamento do sistema imunológico e intensifica o processo inflamatório.
Inflamação crônica acelera doenças no envelhecimento
O estudo destaca que o envelhecimento naturalmente está associado ao chamado inflammaging, um estado de inflamação crônica de baixa intensidade.
Nesse contexto, a vitamina D exerce um papel importante na regulação do sistema imunológico. Quando seus níveis estão baixos e há excesso de gordura abdominal, aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, distúrbios metabólicos e perda de massa muscular.
Os pesquisadores ressaltam que acompanhar regularmente os níveis de vitamina D e adotar medidas para controlar a obesidade abdominal podem contribuir para reduzir riscos à saúde ao longo do envelhecimento.

