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Porto de Santos realiza primeiro abastecimento de navio com etanol no Brasil
Foto divulgação
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O Porto de Santos entrou para a história da navegação sustentável ao sediar, no último domingo (12), a primeira operação de abastecimento de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol realizada no Brasil. A iniciativa envolveu a CMA CGM, a Copersucar, a Bunker One, a AGEO Terminais e a Santos Brasil, e representa um importante avanço na busca por alternativas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo.

A operação foi realizada com o navio CMA CGM IRON, embarcação de 13 mil TEU (unidade equivalente a contêineres de 20 pés), considerada a primeira do mundo equipada com um motor tricombustível certificado para operar com etanol.

O abastecimento ocorreu no Porto de Santos, principal complexo portuário da América Latina, e demonstra o potencial do etanol brasileiro como combustível renovável capaz de contribuir para a transição energética da navegação internacional.

Operação pioneira envolveu ampla estrutura logística

Para viabilizar o abastecimento, foi necessária uma complexa operação logística envolvendo diferentes agentes da cadeia produtiva.

O etanol fornecido pela Copersucar foi transportado até o Porto de Santos, armazenado em infraestrutura especializada da AGEO Terminais e posteriormente transferido ao navio por meio de uma barcaça preparada para esse tipo de operação.

Segundo as empresas envolvidas, todo o processo foi conduzido seguindo rigorosos padrões internacionais de segurança, eficiência operacional e controle ambiental.

A iniciativa também contou com o apoio de órgãos reguladores e autoridades portuárias responsáveis pela autorização e acompanhamento da operação.

Etanol ganha espaço como alternativa para a navegação

O abastecimento representa mais do que um teste operacional. Para os envolvidos, trata-se de uma demonstração prática de que o etanol já possui condições de integrar a matriz energética do transporte marítimo em larga escala.

Além de oferecer redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa, o combustível apresenta vantagens competitivas por contar com disponibilidade imediata, cadeia produtiva consolidada e infraestrutura já estabelecida no Brasil.

Segundo a Copersucar, o etanol utilizado possui certificações de sustentabilidade e é produzido dentro de critérios ambientais rigorosos.

A empresa destaca que a expansão da cana-de-açúcar ocorre majoritariamente em áreas de pastagens degradadas e que o programa RenovaBio estabelece exigências relacionadas à sustentabilidade e ao desmatamento zero.

Porto de Santos se consolida como referência em inovação

A operação fortalece a posição estratégica do Porto de Santos no cenário internacional de transição energética.

Além de ser o maior porto da América do Sul, Santos passa a se posicionar como potencial hub de combustíveis marítimos de baixo carbono para toda a região.

A expectativa é que o terminal possa conectar a produção brasileira de energias renováveis à crescente demanda global por soluções sustentáveis para a navegação.

A estratégia também está alinhada aos investimentos da CMA CGM no Brasil. Em 2025, o grupo francês concluiu a aquisição da Santos Brasil, reforçando sua presença no principal porto do país.

Segundo a companhia, o investimento demonstra o compromisso de longo prazo com o desenvolvimento da infraestrutura portuária nacional e com a aceleração da transição energética no setor marítimo.

Navio utiliza primeiro motor tricombustível certificado do mundo

O CMA CGM IRON foi entregue em 2025 e integra uma série de 12 navios porta-contêineres de 13 mil TEU encomendados pelo grupo.

A embarcação é equipada com o motor Everllence B&W G95ME-C10.5-LGIM, considerado o primeiro motor tricombustível certificado do mundo capaz de operar com etanol.

A tecnologia amplia a flexibilidade operacional da embarcação e abre novas possibilidades para o uso de combustíveis de menor intensidade de carbono.

Para Christine Cabau Woehrel, vice-presidente executiva de Ativos e Operações da CMA CGM, o projeto comprova que soluções inovadoras já podem ser aplicadas em operações comerciais reais.

“Juntamente com nossos parceiros, demonstramos que a inovação pode sair do laboratório e chegar às operações marítimas reais. A certificação do nosso primeiro navio com motor tricombustível representa um importante marco tecnológico para a CMA CGM”, afirmou.

Setor prevê crescimento acelerado do uso de combustíveis renováveis

A CMA CGM tem como meta alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

Dentro dessa estratégia, a companhia prevê operar cerca de 200 navios porta-contêineres capazes de utilizar energias de baixo carbono até 2031.

A expectativa é acompanhada por projeções positivas para toda a indústria marítima.

Segundo Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One, aproximadamente 70 embarcações da frota mundial já possuem capacidade para operar com metanol e, consequentemente, com etanol.

Nos próximos anos, esse número deverá crescer significativamente.

“A previsão é que outras 400 embarcações saiam dos estaleiros aptas a navegar utilizando combustíveis não fósseis”, destacou o executivo.

Brasil amplia protagonismo na transição energética

Para a Copersucar, a operação representa um passo importante para consolidar o etanol como alternativa competitiva no transporte marítimo internacional.

O presidente da companhia, Tomás Manzano, afirmou que a iniciativa demonstra a capacidade do Brasil de integrar produção, logística e mercado para oferecer soluções energéticas sustentáveis em escala global.

“Mais do que um abastecimento pioneiro, estamos construindo as condições para que o etanol passe a integrar, de forma competitiva, a matriz energética da navegação, ampliando o protagonismo do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono”, afirmou.

Com a realização do primeiro abastecimento de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol no país, o Porto de Santos reforça seu papel estratégico na modernização do transporte marítimo e na construção de uma navegação cada vez mais sustentável.

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