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Mundo – Irã ataca bases dos EUA: A escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8). A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado ataques com mísseis e drones contra instalações militares americanas localizadas no Bahrein e no Kuwait, em resposta à nova ofensiva aérea conduzida por Washington contra alvos iranianos.
Os confrontos ocorrem em meio ao enfraquecimento do acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países no mês passado e elevam as preocupações sobre a estabilidade no Oriente Médio e os impactos para o comércio internacional de petróleo.
Irã afirma ter atingido bases militares americanas
Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica informou que os ataques tiveram como alvo instalações militares dos Estados Unidos em Bandar Salman, onde funciona o 5º Distrito Naval americano no Bahrein, e a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait.
Segundo o governo iraniano, a operação utilizou mísseis e drones e também resultou na derrubada de um drone americano MQ-9 que, de acordo com Teerã, tentava interferir na ação.
Após os ataques, sirenes de alerta foram acionadas no Bahrein e no Kuwait. O Exército kuwaitiano informou que seus sistemas de defesa aérea responderam a projéteis classificados como “hostis”.
Estados Unidos justificam ofensiva
Horas antes da resposta iraniana, os Estados Unidos lançaram uma nova série de bombardeios contra alvos militares do Irã. Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), a operação foi realizada após ataques atribuídos a Teerã contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz.
De acordo com o comando militar americano, mais de 60 embarcações de pequeno porte da Guarda Revolucionária estavam entre os alvos atingidos. A ofensiva também mirou sistemas de defesa aérea, radares costeiros, mísseis antinavio e estruturas utilizadas para lançamento de drones.
Em nota oficial, o CENTCOM afirmou que os ataques iranianos à navegação representam uma violação do cessar-fogo e colocam em risco a liberdade de circulação marítima em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.
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Irã acusa Washington de romper cessar-fogo
O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya classificou a ofensiva americana como um “ato flagrante de agressão” e afirmou que o país responderá às ações dos Estados Unidos.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também acusou Washington de violar o acordo de cessar-fogo ao retomar os bombardeios, reforçar sanções contra o setor petrolífero iraniano e apoiar ações militares na região.
Enquanto isso, a imprensa estatal iraniana informou explosões em diferentes pontos do sul do país, incluindo a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, além das cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas.
Segundo autoridades iranianas, não houve registro de mortes de civis, mas várias pessoas ficaram feridas após estilhaços atingirem um píer comercial na cidade de Sirik.
Sanções ampliam pressão sobre Teerã
Além da ofensiva militar, o governo dos Estados Unidos revogou a licença que permitia ao Irã comercializar petróleo no mercado internacional.
A autorização, concedida em junho como parte do acordo provisório entre os dois países, seria válida até agosto. Com a decisão, empresas envolvidas nas negociações terão até 17 de julho para encerrar as operações.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a medida como uma violação do entendimento firmado entre os governos e afirmou que adotará “qualquer medida necessária” para proteger sua segurança e seus interesses nacionais.
Petróleo reage à nova escalada do conflito
A deterioração do cenário geopolítico também repercutiu no mercado financeiro. Após o anúncio das novas sanções americanas, os preços internacionais do petróleo registraram alta superior a 3%.
Analistas avaliam que o controle do Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais pontos de tensão entre Washington e Teerã. A passagem concentra parte significativa do transporte mundial de petróleo e gás natural, tornando qualquer instabilidade na região capaz de afetar os mercados globais.
Enquanto isso, as negociações para um acordo definitivo permanecem paralisadas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que novos bombardeios poderão ocorrer caso o Irã não aceite os termos propostos por Washington. Já o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, declarou que as conversas não serão retomadas enquanto persistirem ameaças militares.

