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A comunidade de Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, ainda tenta assimilar a destruição da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, consumida por um incêndio na tarde desta segunda-feira (25). O templo centenário, concluído em 1914, teve o telhado totalmente destruído pelas chamas e parte da estrutura interna reduzida a cinzas. Apesar da devastação, uma imagem de Jesus Cristo foi retirada intacta do local, emocionando fiéis e moradores.
O incêndio começou no início da tarde, quando a igreja estava fechada e sem frequentadores. Não há informações sobre feridos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar as chamas, mas o fogo já havia consumido boa parte da construção histórica.
Imagens feitas por moradores mostram o telhado da igreja sendo tomado pelo fogo. Após a contenção do incêndio, o cenário encontrado era de destruição: bancos queimados, cobertura desabada e marcas de fuligem por toda a estrutura. Restaram as paredes, o altar principal e a imagem de Cristo, que foi encontrada em bom estado.
A figura religiosa ficava próxima à porta principal da igreja, dentro de uma redoma de madeira. A redoma foi consumida pelas chamas, mas a imagem não foi atingida. Ela foi retirada pelos bombeiros com poucas marcas de fuligem e levada à Secretaria Paroquial.
O fato emocionou o frei Jadir Segala, guardião, ecônomo e pároco da igreja desde 2023. Abalado, ele chorou diante da destruição e classificou a preservação da imagem como um sinal de fé.
“Foi um milagre de Deus”, afirmou o religioso.
O frei lamentou a perda de mais de um século de história. Segundo ele, a igreja estava em reforma, principalmente por causa de problemas no telhado, que estava danificado e permitia a entrada de chuva. A suspeita inicial do religioso é de que o fogo tenha começado justamente na cobertura, mas a causa oficial ainda não foi apontada pelos bombeiros.
“Nossa igreja virou cinza. Perdemos tudo. Foi uma tragédia inexplicável. Em questão de minutos, nós tínhamos uma igreja e agora não temos mais”, declarou o frei.
Mesmo diante da destruição, o pároco destacou que a fé da comunidade permanece. “Estamos arrasados, sem saber o que fazer. Mas a fé não foi queimada e se mantém”, disse.
A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes é um dos principais símbolos históricos e religiosos de Flores da Cunha. A construção começou em 1904 e foi concluída em 1914. Segundo a Secretaria de Turismo do município, o templo está entre as igrejas mais antigas do Rio Grande do Sul em estilo gótico.
O altar-mor, procedente da Itália, é formado por três nichos. No espaço central, por influência dos padres capuchinhos franceses, fica a imagem de Nossa Senhora de Lourdes. Nas laterais, estão as imagens de São Pedro e São José, ligadas às primeiras comunidades formadas na região onde hoje está o município.
Ao lado da igreja fica o campanário, uma torre de pedra com 55 metros de altura. A estrutura foi totalmente construída em basalto, com 11.122 pedras. A obra começou em 1946 e foi concluída em 1949.
Além de sua importância arquitetônica e histórica, a igreja também é referência nas celebrações religiosas da cidade. Todos os anos, durante o Corpus Christi, o local recebe uma procissão marcada pelos tradicionais tapetes coloridos de serragem, que simbolizam a fé e valorizam a história da região.
Para 2026, o município preparava a 36ª Romaria Vocacional Frei Salvador, com o tema “Com Frei Salvador, ser missionário da acolhida, da compaixão e da solidariedade”. A programação homenagearia os 80 anos de profissão religiosa do venerável.
Com o incêndio, a comunidade agora deve iniciar um processo de avaliação dos danos e definição dos próximos passos. Ainda sem respostas sobre a causa do fogo, moradores e fiéis se unem em torno do que restou: a memória de uma igreja centenária e a imagem de Cristo preservada em meio às cinzas.

