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Amazônia
Reprodução internet
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Brasil – A Amazônia alcançou, no primeiro semestre de 2026, o menor nível de alertas de desmatamento desde o início da série histórica do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados, divulgados nesta sexta-feira (10), indicam uma redução significativa na abertura de novas áreas de vegetação nativa.

Ao mesmo tempo, o Cerrado também apresentou queda nos alertas, embora continue sendo o bioma brasileiro com a maior área sob risco de desmatamento. Os números reforçam uma tendência de redução, mas especialistas destacam que os alertas do Deter não representam a taxa oficial de desmatamento.

Amazônia teve o menor índice desde 2016

Entre janeiro e junho de 2026, o Deter identificou 1.295 km² de áreas com sinais de retirada da vegetação nativa na Amazônia. É o menor resultado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 2016.

O recorde anterior havia sido registrado em 2017, com 1.332 km². Em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registrados 2.087 km², a redução foi de aproximadamente 38%.

O levantamento mostra uma desaceleração na abertura de novas áreas, mas isso não significa que regiões desmatadas anteriormente tenham sido recuperadas.

O que mede o Deter?

O Deter é um sistema desenvolvido pelo Inpe para emitir alertas rápidos de possíveis áreas desmatadas por meio de imagens de satélite.

Na prática, esses avisos orientam operações de fiscalização ambiental e ajudam os órgãos responsáveis a identificar regiões que precisam de inspeção.

É importante destacar que os dados do Deter não correspondem à taxa oficial de desmatamento, que é calculada anualmente pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), também do Inpe.

Cerrado continua liderando em área sob alerta

O Cerrado também apresentou redução nos alertas de desmatamento.

Entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 3.142 km² de áreas com indícios de perda de vegetação nativa, o menor resultado para um primeiro semestre desde 2021.

Apesar da queda de cerca de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, o bioma ainda concentra uma área sob alerta aproximadamente 2,4 vezes maior do que a registrada na Amazônia.

Junho manteve a tendência de queda

Os dados de junho também reforçam o cenário de redução.

Na Amazônia, o Deter registrou 297,26 km² de áreas sob alerta, contra 457,61 km² em junho de 2025, uma queda de 35%.

No Cerrado, os alertas passaram de 508,69 km² para 481,53 km², redução de 5,3%.

Segundo o Inpe, a presença de nuvens em parte do Cerrado pode ter dificultado a identificação completa das áreas monitoradas por satélite durante o período.

Por que o calendário do Inpe é diferente?

Além da comparação por ano civil, o Inpe utiliza um calendário próprio para acompanhar o desmatamento, que vai de agosto a julho.

Esse modelo permite acompanhar um ciclo completo da dinâmica do desmatamento, considerando fatores como o regime de chuvas, a cobertura de nuvens e os períodos mais favoráveis à abertura de novas áreas.

Entre agosto de 2025 e junho de 2026, os alertas somaram:

  • Amazônia: 2.485,90 km², redução de 37,2%.
  • Cerrado: 4.689,40 km², queda de 7,9%.

O ciclo será concluído após a divulgação dos dados referentes ao mês de julho.

Queda dos alertas não significa fim do desmatamento

Embora os indicadores apontem uma redução consistente na abertura de novas áreas, o monitoramento ambiental continua sendo fundamental.

Os alertas do Deter servem como ferramenta para orientar ações de fiscalização e prevenção, enquanto o Prodes será responsável por consolidar, posteriormente, a taxa oficial de desmatamento no país.

A continuidade dessa tendência dependerá da manutenção das ações de monitoramento, fiscalização e proteção dos biomas brasileiros.

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