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Mundo – Milhares de manifestantes voltaram a ocupar praças centrais de Lisboa e Porto, em Portugal, na terça-feira (20), para protestar contra o agravamento da crise habitacional e o aumento do custo de vida. Os atos foram retomados poucas horas depois de operações policiais desmontarem acampamentos nas duas cidades. Ao menos 55 pessoas foram detidas e posteriormente liberadas.
Em Lisboa, uma assembleia popular decidiu retornar à praça do Rossio e reconstruir as barracas nesta quarta-feira (21). A cantora Ana Moura também participou da manifestação e realizou uma apresentação em apoio ao movimento.
Segundo os organizadores, mais de mil pessoas se reuniram em cada uma das praças ocupadas. A Polícia de Segurança Pública não divulgou uma estimativa oficial do público.
Manifestantes prometem manter ocupações
Os protestos começaram nos últimos dias em pontos centrais das duas maiores cidades portuguesas. Na praça do Rossio, em Lisboa, os ativistas estavam acampados desde sábado (17), com aproximadamente 200 barracas. No Porto, a ocupação da praça Dom João I durava cerca de dez dias.
As mobilizações seguem o modelo de manifestações por moradia realizadas na vizinha Espanha e ocorrem em meio a uma onda de insatisfação com o custo de vida em países europeus, como França, Bélgica e Itália.
A consultora de comunicação Débora Miranda, de 41 anos, participou do ato em Lisboa para representar as gerações afetadas pela alta dos custos. Para ela, a falta de condições de moradia compromete a capacidade das pessoas de seguir com suas vidas.
O estudante de História Jorge Paixão, de 19 anos, também destacou o impacto da crise sobre os jovens. Ele defendeu que sua geração tenha condições de viver com dignidade, formar famílias e contribuir para o futuro do país.
Polícia desmonta acampamentos e detém 55 pessoas
As operações policiais ocorreram pouco antes das 6h de terça-feira, após as autoridades alertarem que os acampamentos eram ilegais.
No Porto, os próprios manifestantes desmontaram as barracas. Em Lisboa, agentes da polícia realizaram a retirada dos ocupantes da praça do Rossio.
Carla Valadão, porta-voz do acampamento na capital portuguesa, classificou a ação como muito agressiva. Já o superintendente da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, afirmou que a desocupação ocorreu de maneira calma, proporcional e adequada, sem uso de força policial contra os manifestantes.
As 55 pessoas detidas foram liberadas posteriormente e deveriam comparecer a uma audiência judicial em Lisboa nesta quarta-feira (21).
Alta dos imóveis pressiona famílias e jovens
Portugal enfrenta uma das crises de acesso à habitação mais graves da Europa. Desde 2017, os preços de compra de imóveis mais do que dobraram, enquanto os valores pedidos nos novos contratos de aluguel quase duplicaram.
A situação é especialmente difícil nos grandes centros urbanos, onde a procura por moradia também é influenciada pelo turismo intenso e pela chegada de trabalhadores estrangeiros que atuam remotamente, conhecidos como nômades digitais.
Os manifestantes exigem que o governo de centro-direita retire um projeto de lei que facilita despejos e elimina limites para os valores dos aluguéis em novos contratos.
A proposta já foi aprovada em primeira leitura no Parlamento português, com abstenção do partido de extrema-direita Chega. Os críticos temem que as mudanças agravem as dificuldades enfrentadas por inquilinos em um mercado imobiliário marcado pela alta dos preços.
Os organizadores prometem manter a mobilização e reconstruir os acampamentos, em uma tentativa de pressionar o governo a adotar medidas para ampliar o acesso à moradia e conter o avanço da crise habitacional.

