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acidente no Hopi Hari
Reprodução internet
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Brasil – O Ministério Público de São Paulo investiga o caso de uma jovem que sofreu um grave traumatismo cranioencefálico após andar na Montezum, uma das principais atrações do parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Júlia Bossoni, que é do Paraná, perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e passou a apresentar dificuldades de fala após o episódio.

O acidente aconteceu em abril de 2026, durante uma visita de Júlia ao parque acompanhada do namorado, João Pedro. Segundo o relato apresentado pelo Fantástico, ela já havia utilizado a atração uma vez naquele dia e retornou à montanha-russa horas depois.

Durante a segunda viagem, imagens registradas pelas câmeras do parque mostram Júlia consciente no início do percurso. Cerca de dois minutos após o carrinho retornar à plataforma, porém, ela estava desacordada e apresentava convulsões.

Jovem foi levada para a UTI após acidente

Após receber os primeiros atendimentos no parque, Júlia foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo. De acordo com as informações divulgadas pela reportagem, os primeiros exames identificaram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral.

A gravidade do quadro fez com que ela fosse submetida a uma craniectomia descompressiva, procedimento realizado para permitir que o cérebro tenha espaço durante o processo de inchaço.

Júlia permaneceu internada durante 57 dias e recebeu diagnóstico de traumatismo cranioencefálico, conhecido como TCE.

Segundo laudo médico citado na reportagem, o trauma teria sido provocado por um mecanismo de contragolpe durante o passeio na montanha-russa. O neurocirurgião ouvido pelo Fantástico explicou que movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação do crânio podem provocar o rompimento de vasos sanguíneos e levar a uma hemorragia intracraniana.

A família afirma que Júlia não apresentava doenças pré-existentes. Após o acidente, ela perdeu completamente os movimentos do lado esquerdo e passou a apresentar dificuldades na fala e alterações de memória.

Montezum já esteve relacionada a outros acidentes

O caso de Júlia não é o único envolvendo problemas de saúde após o uso da Montezum.

Em 2018, Nathalia Assenjo Motta relatou ter sofrido uma lesão cervical durante o percurso. Segundo ela, um movimento brusco provocou um deslocamento das vértebras e foi necessário colocar 12 pinos e duas hastes na região cervical.

A professora recuperou os movimentos do corpo três dias depois, mas permaneceu com limitações na mobilidade do pescoço. Posteriormente, recebeu uma indenização do Hopi Hari por danos materiais.

Outro caso ocorreu em 2014, quando o motoboy Márcio ficou tetraplégico depois de utilizar a atração. Segundo informações apresentadas na reportagem, ele sofreu o rompimento de duas vértebras e desenvolveu o quadro de tetraplegia. Márcio morreu em 2023 em decorrência de complicações relacionadas a uma infecção urinária.

Além dos casos que chegaram à Justiça, a reportagem encontrou cerca de 40 reclamações registradas nos últimos dois anos em uma plataforma de avaliação de consumidores. Os relatos mencionam dores no pescoço, problemas nos joelhos e fraturas.

Ministério Público pediu perícia na montanha-russa

Diante do caso de Júlia, o Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação e solicitou uma perícia policial na Montezum. O procedimento ainda está em andamento.

A família da jovem também recorreu à Justiça para solicitar uma perícia que possa esclarecer as circunstâncias do acidente.

Cinco meses após o episódio, Júlia continua em processo de reabilitação. De acordo com a família, ela passou por sete cirurgias e realiza sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

O que diz o Hopi Hari

Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e passa por inspeções periódicas. O parque também declarou seguir as normas nacionais aplicáveis a equipamentos de parques de diversões.

Segundo a administração, a atração possui placas e avisos sonoros com informações sobre seu funcionamento, além de recomendações e restrições para os visitantes. O parque classifica a Montezum como uma atração radical e informa que há contraindicações para pessoas com problemas na coluna, gestantes e indivíduos com determinadas condições clínicas.

O Hopi Hari também citou um parecer do Ministério Público emitido em agosto de 2026. Segundo o parque, o documento não identificou risco coletivo, defeito de projeto ou negligência na atração.

A administração informou ainda que realiza procedimentos de manutenção preventiva diariamente, semanalmente, mensalmente e em períodos determinados para revisões mais amplas.

Sobre o caso de Júlia, o parque afirmou que ela recebeu atendimento imediato após apresentar convulsões e foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo. A empresa também declarou ter acompanhado a internação, custeado despesas relacionadas ao período em que a jovem permaneceu na cidade e disponibilizado um seguro à família.

O Hopi Hari afirmou que os acidentes envolvendo Nathalia e Márcio ocorreram antes de 2019, durante uma administração anterior.

Parque contesta número de reclamações

Sobre as aproximadamente 40 reclamações encontradas na plataforma de consumidores, o Hopi Hari afirmou que os registros representam uma parcela pequena diante do número de pessoas que utilizaram a atração.

Segundo a empresa, cerca de 1,2 milhão de visitantes passaram pela Montezum nos últimos dois anos. O parque classificou os registros como ocorrências isoladas e afirmou que os relatos são encaminhados ao Serviço de Atendimento ao Visitante.

A administração também declarou que continua investindo em procedimentos de segurança, manutenção e treinamento.

Família acompanha recuperação de Júlia

Após o acidente, familiares passaram a se revezar nos cuidados com Júlia durante o processo de recuperação.

A jovem realiza atualmente uma rotina de reabilitação que inclui fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. O objetivo da família é que ela recupere gradualmente a autonomia e os movimentos afetados pelo trauma.

Enquanto a investigação do Ministério Público e a perícia solicitada pelas autoridades seguem em andamento, a família busca esclarecer o que provocou o quadro sofrido por Júlia durante o passeio na Montezum.

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