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desafio dos sigilos
Reprodução internet
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Política – O chamado “desafio dos sigilos” ganhou protagonismo nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno das eleições presidenciais. A disputa envolve a abertura de informações pessoais e financeiras dos candidatos e exigências adicionais apresentadas pelo senador.

A campanha de Lula informou que irá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h desta quinta-feira para protocolar uma resposta às condições estabelecidas por Flávio. A equipe petista também espera que representantes do senador compareçam ao tribunal para formalizar a abertura dos dados solicitados.

Como começou o desafio dos sigilos

Lula lançou o desafio durante o debate da Band, realizado no domingo (18). Na terça-feira (20), o presidente apresentou ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, assim como os de seus familiares, referentes aos últimos oito anos. A proposta foi condicionada à adoção da mesma medida pelo adversário.

Na quarta-feira (21), Flávio apresentou uma petição ao TSE, dirigida ao ministro André Mendonça. O senador autorizou o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos, incluindo informações de empresas das quais é sócio ou administrador.

Ele também declarou não se opor à abertura das mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No entanto, contestou a proposta de Lula e afirmou que o patrimônio do presidente estaria registrado em nome de terceiros.

Quais são as exigências de Flávio Bolsonaro

Além da abertura dos próprios dados, o senador apresentou uma série de pedidos envolvendo integrantes do entorno presidencial, familiares de Lula e informações sobre despesas e atividades do governo federal.

Entre as principais exigências estão:

  • Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola: abertura dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos últimos oito anos do ex-chefe de gabinete de Lula.
  • Janja e o Palácio da Alvorada: divulgação da agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025, informações sobre visitas dos filhos do presidente ao palácio, uso de helicóptero e despesas da residência oficial.
  • Cartão corporativo: apresentação dos gastos da Presidência da República desde janeiro de 2023.
  • Daniel Vorcaro: registros da reunião com Lula em 4 de dezembro de 2024 e informações sobre entradas do banqueiro e de intermediários no Palácio do Planalto e no Alvorada desde 2023.
  • Roberta Luchsinger: informações sobre acessos aos palácios presidenciais, voos da Força Aérea Brasileira (FAB), reuniões em órgãos públicos e abertura de sigilos pessoais e empresariais.
  • Filhos do presidente: informações sobre empresas ligadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e aos demais filhos de Lula, incluindo uma offshore na Espanha mencionada na petição.
  • Frei Chico: dados bancários, fiscais e telefônicos do irmão do presidente, além de informações sobre o Sindnapi, sindicato de aposentados do qual ele é vice-presidente.

Flávio também pediu que o TSE intime Lula a aceitar as condições apresentadas. Caso o presidente se recuse, o senador quer que o tribunal registre que a negativa partiu do candidato que lançou o desafio.

Campanha de Lula diz que aceitará as condições

O senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da campanha petista, afirmou que Lula aceitará as exigências, desde que Flávio também cumpra sua parte no acordo.

Em nota divulgada na noite de quarta-feira, a coordenação da campanha presidencial informou que comparecerá ao TSE às 11h desta quinta para protocolar a resposta do presidente. A equipe declarou que aguardará a presença de representantes do senador para formalizar a disponibilização dos sigilos solicitados, incluindo os de pessoas e empresas mencionadas.

Flávio reagiu por meio de outra nota. O senador afirmou receber “com entusiasmo” a declaração de que Lula abrirá a chamada “caixa-preta do Planalto” e disse esperar que a iniciativa não seja apenas mais uma promessa não cumprida.

Até a divulgação da manifestação, a nota do senador não confirmava se representantes de sua campanha compareceriam ao TSE nesta quinta-feira para formalizar a abertura dos dados.

A disputa ocorre na reta final da campanha presidencial e coloca no centro do debate público a transparência das informações financeiras e pessoais dos candidatos, além de questionamentos sobre relações e despesas envolvendo o governo federal.

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