|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Política – O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (3) a medida provisória que mantém zerada a alíquota do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50. A mudança, conhecida popularmente como fim da taxa das blusinhas, ainda precisa seguir os trâmites finais para se tornar permanente.
A MP 1.357/2026 foi editada pelo governo em maio e já colocou em prática a alíquota zero para essas remessas. Com a aprovação do Congresso, a medida avança para impedir que a regra perca a validade.
Apesar disso, a isenção não representa o fim de todos os impostos sobre compras internacionais. O ICMS, tributo estadual, continua sendo cobrado.
O que é a taxa das blusinhas?
A chamada “taxa das blusinhas” ficou conhecida como o Imposto de Importação cobrado sobre produtos de pequeno valor adquiridos em plataformas internacionais.
A cobrança de 20% para compras de até US$ 50 entrou em vigor em agosto de 2024. Antes disso, remessas dentro desse limite feitas por empresas participantes do programa Remessa Conforme eram isentas do Imposto de Importação.
O Remessa Conforme foi criado pela Receita Federal em 2023 para ampliar o controle sobre as compras internacionais e permitir que informações sobre as encomendas fossem enviadas antecipadamente ao governo.
A cobrança do imposto federal foi posteriormente incluída na legislação que regulamentou o programa Mover, em meio às discussões sobre a concorrência entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras.
Compras de até US$ 50 ficam sem Imposto de Importação
Com a MP 1.357/2026, a alíquota do Imposto de Importação para remessas internacionais de até US$ 50 pode permanecer em 0%.
A medida já começou a valer em maio, após uma portaria do Ministério da Fazenda colocar a alíquota zero em prática. A aprovação do Congresso é necessária para manter a mudança de forma permanente.
O governo estima, porém, que a retirada do imposto terá impacto significativo sobre a arrecadação federal. A previsão é de uma perda de R$ 1,94 bilhão em 2026, R$ 3,54 bilhões em 2027 e R$ 4,24 bilhões em 2028.
ICMS continua sendo cobrado
O fim da taxa das blusinhas não significa que as compras internacionais de até US$ 50 ficarão totalmente livres de impostos.
Isso acontece porque a MP trata apenas do Imposto de Importação, que é federal. O ICMS, cobrado pelos estados, continua incidindo sobre as compras.
Desde abril de 2025, dez estados passaram a aplicar uma alíquota de 20% de ICMS sobre essas remessas, acima dos 17% anteriormente praticados.
Por isso, o consumidor ainda poderá pagar tributos mesmo com o Imposto de Importação zerado.
E as compras acima de US$ 50?
Para compras internacionais entre US$ 50,01 e US$ 3 mil, continua prevista a cobrança de 60% de Imposto de Importação, com uma dedução fixa de US$ 30 sobre o valor do imposto para remessas enquadradas no Remessa Conforme.
A medida provisória também permite que o Ministério da Fazenda estabeleça alíquotas constantes ou progressivas para produtos de até US$ 3 mil.
Congresso vai acompanhar os efeitos da isenção
O texto aprovado prevê mecanismos para acompanhar os impactos da redução do imposto sobre a economia brasileira.
A primeira avaliação deverá ser realizada pelo Ministério da Fazenda em até três meses. Depois, novas análises deverão ocorrer a cada seis meses.
Entre os pontos que serão monitorados estão:
- emprego e renda;
- competitividade da indústria e do comércio brasileiros;
- preços dos produtos;
- volume de compras internacionais;
- diferença de preços entre produtos nacionais e importados;
- impacto sobre a arrecadação.
A avaliação deverá observar especialmente setores como têxtil e vestuário, calçados, acessórios, brinquedos e cosméticos.
Além disso, o Congresso deverá fazer uma avaliação anual do regime simplificado de tributação das remessas internacionais.
Governo poderá limitar frequência das compras
Outra mudança prevista no texto é a possibilidade de o Poder Executivo estabelecer limites de quantidade ou frequência para compras beneficiadas pela alíquota reduzida.
A medida busca evitar que consumidores ou empresas dividam artificialmente uma compra em várias remessas para aproveitar a isenção.
Também pretende impedir que o benefício destinado a pessoas físicas seja utilizado para importações com finalidade comercial ou de revenda.
Setor produtivo é contra o fim da cobrança
Entidades que representam a indústria e o comércio brasileiros defendem a manutenção da tributação sobre as compras internacionais de pequeno valor.
O argumento é que empresas instaladas no Brasil estão sujeitas à carga tributária nacional e, sem o Imposto de Importação, produtos estrangeiros poderiam ter uma vantagem competitiva.
Representantes do setor também afirmam que o impacto não se limita ao mercado de roupas. A discussão envolve segmentos como eletrônicos, materiais de construção, medicamentos, brinquedos e produtos para animais.
A nova regra aprovada pelo Congresso tenta conciliar a manutenção da alíquota zero com mecanismos de monitoramento para avaliar seus efeitos sobre consumidores, empresas, empregos e arrecadação.

