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De brigas à conexão: Dicas de uma Advogada, Sexóloga e Analista Comportamental que já ajudou milhares de casais a resgatar a harmonia, a intimidade e a paixão no casamento.
Foto portal Baixada (4)
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Olá, queridos leitores!

 

Sejam muito bem-vindos a mais uma semana. Hoje quero começar com uma cena que, arrisco dizer, quase todo mundo já viveu.

Imagina a situação: você e a sua parceria estão juntos, o clima esquenta, a intimidade física está acontecendo de forma incrível… até que surge aquele desejo de pedir algo diferente. Ou, do outro lado da moeda, aquele pequeno incômodo com um movimento que não tá legal. A palavra fica ali, travada na ponta da língua. Você ensaia falar, mas engole em seco, dá um sorriso amarelo e deixa passar.

Mas porque isso acontece?

É fascinante, e até um pouco irônico, pensar que conseguimos ficar completamente nus e vulneráveis diante de alguém, mas morremos de vergonha de usar a nossa própria voz.

A gente se acostumou a achar que o sexo bom precisa acontecer por pura telepatia. Como se o parceiro ou a parceira tivesse a obrigação mágica de adivinhar o mapa da nossa mina sem que a gente diga onde fica o tesouro. Só que a adivinhação é, de longe, o caminho mais rápido para a frustração a dois.

O grande vilão dessa história raras vezes é a falta de libido; é o medo do julgamento. É aquele pensamento que vem no fundo da mente: “E se acharem que eu sou estranho?”, “E se parecer uma crítica e machucar o ego do outro?” Ou até o medo puro e simples de ser criticado(a).

No fundo, o silêncio costuma ser uma tentativa de proteção. A gente se cala por medo de ser mal interpretado, receoso de que o outro se sinta insuficiente ou tenha a sua autoestima abalada por achar que falhou em ser ‘bom de cama’

 

Só que, quando escolhemos o silêncio para “proteger” o outro ou para evitar o desconforto, estamos ensinando a nossa parceria a nos agradar do jeito errado. E o preço disso é alto: a vida íntima vai caindo no piloto automático, o prazer vira protocolo e aquele distanciamento silencioso começa a ocupar o espaço onde deveria existir cumplicidade, afinal de contas, não sentir prazer, é um desprazer.

Quebrar esse tabu não exige um “discurso solene” nem um seminário no meio do quarto. Pelo contrário. A verdadeira coragem de pedir o que se quer na cama começa na leveza, então já anota essas diquinhas nada básicas, que podem ajudar muito nessa hora:

A primeira dica é, que a hora da ação não é o melhor momento para alinhar expectativas, porque qualquer ajuste pode soar como bronca. Que tal puxar esse assunto tomando um café, no carro ou num momento relaxado? Sem a pressão do desempenho, a conversa vira cumplicidade.

Além disso, ninguém gosta de ouvir “você nunca faz isso”. Então a segunda dica é saber falar, porque todo mundo adora ouvir “eu sinto um tesão enorme quando a gente faz assim” ou “adoraria experimentar isso com você”. O cérebro do outro recebe isso como uma porta aberta para o prazer, não como um puxão de orelha.

 

A terceira dica, é que o sexo não precisa ser solene demais. Orientar a mão, pedir um “mais devagar” ou dar uma risada de leve quando algo sai do script não estraga o clima, pelo contrário, mostra que você tá ali, presente e inteiro.

Pedir o que nos dá prazer e impor limites no que nos desconforta não é egoísmo. É autocuidado e, acima de tudo, um investimento generoso na relação. Ninguém nasce com o manual de instruções do corpo alheio.

A vulnerabilidade pode o afrodisíaco mais poderoso que existe. Ter a coragem de ser transparente sobre os seus desejos dá um trabalho danado no começo, eu sei, mas destrava uma liberdade que muda tudo, dentro e fora dos lençóis.

No fim das contas, conversar sobre sexo não é sobre apontar falhas, mas sobre construir cumplicidade, porque tirar a roupa é fácil; difícil mesmo é desarmar as defesas e mostrar o que realmente nos move.

Que tal aproveitar a coluna de hoje como desculpa para puxar essa conversa? Mande esse texto para a sua parceria e comece dizendo: “Gostei muito disso aqui, o que você acha?”. O diálogo pode ser exatamente o que falta para destravar a melhor fase de vocês.

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