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Educação – Um jogo desenvolvido por um universitário de 19 anos chamou a atenção do público durante a Rio Innovation Week, realizada na semana passada, no Rio de Janeiro. A proposta foi criada para apresentar, de forma interativa, as atribuições do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ).
Arthur Almeida Santos, estudante do segundo período de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), é estagiário do órgão e idealizou a ferramenta após ser informado de que o MP-RJ pretendia apresentar um quiz no evento.
Em vez de quiz, estudante propôs criar um jogo
Arthur, que estudou programação de jogos digitais na Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), considerou que um simples jogo de perguntas e respostas poderia não despertar tanto interesse do público.
“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou à Agência Brasil.
A dinâmica criada pelo estudante propõe que os participantes identifiquem, entre diferentes atribuições do poder público, quais são de responsabilidade do Ministério Público do Rio de Janeiro.
O jogador tinha um minuto e 40 segundos para alcançar a maior pontuação possível. Ao final, os participantes concorriam a brindes, como ecobags.
A ideia buscou aproximar o órgão do público de maneira mais simples e, principalmente, dialogar com pessoas mais jovens.
Tecnologia usada para aproximar o público
Segundo Arthur, desenvolver o projeto também permitiu aplicar conhecimentos de tecnologia em uma situação que envolve comunicação com o público.
“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”, afirmou.
Antes de ingressar em Sistemas de Informação na Unirio, o estudante cursou Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ). A mudança, segundo ele, ocorreu justamente pela busca de um equilíbrio maior entre tecnologia e aspectos humanos.
A experiência no MP-RJ também representa sua primeira oportunidade profissional.
Projeto teve apoio do Laboratório de Inovação
O desenvolvimento do jogo ocorreu dentro de um grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que contribuiu para os elementos visuais da ferramenta.
De acordo com a procuradora, a concepção do funcionamento do jogo ficou a cargo do estudante.
“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa.
A procuradora contou que Arthur chegou ao órgão interessado em trabalhar com gamificação, área que utiliza elementos de jogos para estimular participação e aprendizado. Como não havia um setor específico para essa atividade, ele passou a trabalhar com profissionais da área de tecnologia da informação, ligada à Coordenadoria de Segurança e Inteligência.
Reconhecimento durante o evento
O desempenho do projeto na Rio Innovation Week surpreendeu a equipe do Ministério Público. Arthur esteve presente no estande para apresentar a criação aos visitantes e recebeu reconhecimento pelo trabalho.
Elisa Fraga destacou que a participação do estudante também serviu para mostrar o potencial dos estagiários dentro da instituição.
“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”, disse.
Para Arthur, o reconhecimento ganhou ainda mais importância após receber um elogio do procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira.
“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembrou.
Mais do que desenvolver uma ferramenta tecnológica, o estudante acredita que o projeto ajudou o Ministério Público a encontrar uma maneira diferente de conversar com o público jovem.
“É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”, afirmou.

