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PIX x Zelle
Reprodução internet
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Economia – O debate sobre sistemas de pagamento instantâneo voltou ao centro das discussões após comparações entre o PIX e o Zelle ganharem repercussão nas redes sociais e no cenário político. Apesar de ambos permitirem transferências rápidas entre usuários, as plataformas possuem estruturas, alcance e modelos de funcionamento bastante diferentes.

Criado pelo Banco Central em 2020, o PIX se tornou parte da rotina financeira dos brasileiros e ampliou o acesso aos pagamentos digitais. Já o Zelle, lançado nos Estados Unidos em 2017, opera por meio de uma rede privada vinculada ao sistema bancário americano.

PIX e Zelle: diferença começa no modelo de gestão

A principal diferença entre os sistemas está na forma como foram criados e administrados.

O PIX é uma infraestrutura pública desenvolvida e operada pelo Banco Central, que também regula o funcionamento e define regras para instituições participantes.

Já o Zelle surgiu como iniciativa privada da Early Warning Services, empresa controlada por grandes bancos dos Estados Unidos. Entre eles estão Bank of America, JPMorgan Chase, Wells Fargo, Capital One e outros grupos financeiros.

Na prática, isso significa que o sistema brasileiro funciona dentro de um modelo centralizado pelo regulador, enquanto o americano depende da adesão dos bancos participantes.

Integração do PIX é mais ampla no sistema financeiro

Outro ponto importante está na abrangência.

O PIX está disponível em praticamente todos os bancos, fintechs e instituições autorizadas pelo Banco Central. Segundo dados oficiais, cerca de 80% da população brasileira utiliza o sistema, representando mais de 170 milhões de pessoas físicas.

Os números mostram o crescimento acelerado da ferramenta:

  • 2021: R$ 5,21 trilhões movimentados
  • 2022: R$ 10,89 trilhões
  • 2023: R$ 17,12 trilhões
  • 2024: R$ 26,46 trilhões
  • 2025: R$ 35,36 trilhões

Já o Zelle funciona apenas em instituições participantes da rede, estando disponível em mais de 2.400 aplicativos bancários e cooperativas de crédito nos Estados Unidos.

Embora ambos estejam limitados a contas nacionais, o Banco Central brasileiro estuda alternativas para ampliar o uso internacional do PIX.

Uso cotidiano torna PIX mais versátil

Enquanto o Zelle é mais utilizado para transferências entre pessoas e pequenos negócios, o PIX ganhou espaço em diferentes áreas da economia brasileira.

Hoje, o sistema permite:

  • pagamentos em lojas físicas e online;
  • transferências entre empresas;
  • pagamento de contas e boletos;
  • recolhimento de tributos;
  • recebimento de salários e cobranças.

Outro diferencial é o custo. O PIX costuma ser gratuito para pessoas físicas, enquanto o Zelle pode ter tarifas dependendo da política adotada pelos bancos participantes, embora muitos não cobrem consumidores.

No tempo de processamento, ambos são rápidos, mas o PIX opera de forma praticamente instantânea, enquanto transferências via Zelle podem levar alguns minutos.

Cancelamento e proteção contra fraudes funcionam de forma diferente

Em relação à segurança, os sistemas também apresentam diferenças.

O Zelle informa que pagamentos só podem ser cancelados se o destinatário ainda não estiver cadastrado na plataforma. Caso contrário, o dinheiro segue diretamente para a conta bancária do recebedor.

No Brasil, o PIX possui o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para auxiliar vítimas de golpes e fraudes. O Banco Central destaca, porém, que o recurso não garante devolução automática dos valores.

Além disso, o sistema brasileiro permite devoluções diretamente pelo aplicativo bancário, recurso útil em casos de envio incorreto.

Debate sobre sistemas cresceu após críticas internacionais

A comparação entre PIX e Zelle ganhou força após críticas do governo dos Estados Unidos ao modelo brasileiro, em meio a discussões sobre competitividade, tecnologia financeira e participação de empresas estrangeiras no setor de pagamentos.

Especialistas avaliam que, apesar de cumprirem funções semelhantes, os sistemas foram desenvolvidos para realidades econômicas e regulatórias diferentes, o que explica boa parte das diferenças observadas entre Brasil e Estados Unidos.

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