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Política – Especialistas em segurança pública avaliam com cautela a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de recusar a escolta da Polícia Federal durante a campanha presidencial. Pré-candidato ao Palácio do Planalto, ele optou por manter apenas a proteção da Polícia Legislativa do Senado.
Flávio Bolsonaro justificou a decisão afirmando que teme a presença de “infiltrados” na equipe de segurança e defendeu que os agentes da Polícia Federal sejam direcionados para reforçar as investigações sobre as fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Especialistas destacam diferenças entre os modelos de proteção
Integrantes e ex-integrantes da Polícia Federal ouvidos, explicam que a segurança oferecida pela corporação vai além da escolta pessoal.
O modelo da PF reúne equipes de inteligência, planejamento de viagens, atuação integrada em diferentes estados e monitoramento permanente de possíveis ameaças. Também podem ser empregados carros blindados, sistemas próprios de comunicação, equipamentos de combate a drones e inspeções nos locais onde o candidato participa de eventos.
Já a Polícia Legislativa do Senado é responsável pela segurança institucional dos parlamentares, mas possui uma estrutura e um alcance diferentes do esquema montado pela Polícia Federal em campanhas presidenciais.
Associação de delegados defende capacidade técnica da PF
O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, afirmou que a instituição possui capacidade técnica para proteger qualquer candidato, independentemente de posicionamentos políticos.
Segundo ele, a Polícia Federal também foi responsável pela segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral de 2022, quando Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República.
“A Polícia Federal tem total condição técnica. Essa polarização não nasceu em 2026. Na eleição passada, fez a segurança do Lula no governo Bolsonaro, e não há notícia de preferência ou posicionamento de quem participou da operação”, afirmou.
Paiva acrescentou que os agentes responsáveis pela proteção de autoridades passam por treinamentos constantes no Brasil e no exterior.
Ex-diretor da PF recomenda cautela
O ex-diretor-geral da Polícia Federal durante o governo Michel Temer, Fernando Segóvia, também avaliou que a decisão exige cautela.
Segundo ele, um eventual plano de segurança para Flávio Bolsonaro levaria em consideração fatores como o atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, além do cenário de polarização política e da alta exposição do senador.
De acordo com Segóvia, a análise de risco incluiria monitoramento contínuo de ameaças, alterações de rotas e inspeções reforçadas antes de compromissos públicos.
“A Polícia Federal tem muitos anos de experiência nessa área. Abrir mão de uma equipe tão bem preparada é uma decisão que merece cautela”, afirmou.
O ex-diretor ressaltou ainda que, caso existisse algum problema de relacionamento entre o candidato e o responsável pela escolta, seria possível solicitar a substituição do coordenador da equipe, sem a necessidade de rejeitar toda a estrutura de proteção.

