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A influenciadora digital Ana Vitória, conhecida como Vitória MineBlox, de 16 anos, usou as redes sociais para denunciar uma série de episódios de violência, ameaças e descumprimento de medida protetiva que, segundo ela, ocorrem há anos em Tianguá, no interior do Ceará. A adolescente atribui as denúncias ao próprio pai. O relato foi publicado no último sábado (16) e ganhou grande repercussão nas redes sociais.
Criado em 2017, quando Vitória tinha oito anos, o perfil “Vitória MineBlox” cresceu com conteúdos infantis voltados a gameplays de Roblox. Atualmente, a influenciadora soma mais de 7 milhões de seguidores nas plataformas digitais.
No vídeo, a adolescente afirmou que decidiu tornar o caso público por sentir que não estava sendo ouvida pelas autoridades. Ela disse estar com medo de sair de casa e relatou que deixou de frequentar a escola presencialmente, passando a estudar em casa.
Vitória também comentou rumores de que estaria sendo mantida em cárcere privado pela mãe, após ficar cerca de um ano afastada das redes sociais. Segundo a adolescente, as acusações seriam falsas e teriam sido feitas pelo pai.
De acordo com o relato, o pai da influenciadora, que também produz conteúdo para redes sociais, teria cometido violência doméstica contra a mãe dela. A adolescente afirmou ainda ter presenciado episódios de agressividade dentro de casa, incluindo objetos quebrados e situações que, segundo ela, causavam medo nela e na mãe.
A relação entre os pais chegou ao fim após a Justiça conceder uma medida protetiva em março deste ano. Ainda assim, Vitória afirmou que o pai teria tentado se aproximar dela e da mãe em diversas ocasiões, inclusive indo até a escola para tentar contato com a adolescente.
No vídeo, a influenciadora também relatou situações envolvendo o pai que, segundo ela, a fizeram se sentir abusada. A adolescente afirmou ter vivido episódios de constrangimento quando era mais nova e disse que determinadas atitudes do pai a deixavam desconfortável.
Ela também relatou ter presenciado uma situação em que o pai teria corrido atrás da mãe com uma faca. Em outro momento, segundo a adolescente, ele teria colocado a filha dentro de um carro e dirigido em alta velocidade para assustá-la.
Vitória afirmou se sentir desamparada pela Justiça. Segundo ela, apesar da existência da medida protetiva, as tentativas de aproximação teriam continuado. Uma captura de tela obtida pela reportagem mostra notificações do sistema de monitoramento vinculado à Lei Maria da Penha, indicando pelo menos cinco aproximações.
A adolescente também criticou a atuação de órgãos públicos no caso e afirmou que sua versão não estaria sendo considerada. O caso, segundo as informações divulgadas, tramita em segredo de Justiça e é acompanhado por diferentes instituições de proteção à criança e ao adolescente.
O Conselho Tutelar de Tianguá se manifestou por meio de nota de repúdio e esclarecimento após ser citado nas declarações. O órgão afirmou que atua de forma responsável, ética e legal, com compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Na nota, o Conselho repudiou o que classificou como acusações infundadas, afirmando que elas atingem a honra, a credibilidade e a seriedade do trabalho da instituição. O órgão também declarou que jamais compactuou, favoreceu ou divulgou informações sigilosas relacionadas aos casos acompanhados.
Ainda conforme o comunicado, todas as providências consideradas cabíveis foram adotadas de forma transparente e em conformidade com os princípios legais e institucionais. O Conselho informou que as declarações públicas estão sendo analisadas e que podem resultar em medidas legais.
O órgão acrescentou que mantém contato com outras instituições e que o setor jurídico já foi acionado para adoção de medidas judiciais e administrativas pertinentes, diante da gravidade das acusações.
As denúncias seguem sob apuração das autoridades competentes, enquanto o caso repercute nas redes sociais e mobiliza seguidores da influenciadora.

