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Operação Mídia Cativa: PF investiga esquema de compra de reportagens em Jaú e outras cidades
Foto arquivo PF
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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (12), a operação “Mídia Cativa” para apurar crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa e abuso de poder econômico, envolvendo pessoas ligadas à Prefeitura de Jaú, no interior de São Paulo. Segundo as investigações, a operação investiga a compra de matérias jornalísticas favoráveis à gestão municipal e negativas à oposição, por meio de pagamentos clandestinos para grupos de comunicação locais e influenciadores digitais.

A ação da PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), nas cidades de Jaú, Dois Córregos e Nhandeara. Entre os alvos da operação, estavam a própria Prefeitura de Jaú, o gabinete do prefeito Ivan Cassaro (PSD), e outros locais relacionados aos investigados. A medida visa aprofundar a investigação sobre os pagamentos clandestinos, feitos de forma oculta, para garantir cobertura favorável à administração e difamar opositores.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações indicam que a gestão municipal comprava reportagens favoráveis à Prefeitura e se utilizava de influenciadores e páginas em redes sociais, como Instagram, para manipular a opinião pública. Os pagamentos eram feitos secretamente para garantir que os conteúdos fossem veiculados de maneira a favorecer os interesses políticos do prefeito e prejudicar os rivais.

Durante a operação, a PF apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos dos investigados. Todo o material será encaminhado para a perícia, onde a polícia tentará aprofundar a análise do fluxo financeiro que envolvia os pagamentos e o envolvimento de outras partes no esquema de manipulação da mídia. O processo segue sob sigilo judicial, como determinado pela Justiça.

Em nota, o prefeito Ivan Cassaro se posicionou sobre a operação e afirmou: “Recebi com tranquilidade a operação da Polícia Federal realizada hoje. Abri as portas da minha casa e do meu gabinete, colaborei integralmente, e nada tenho a esconder. Sigo firme, confiando na Justiça. O nosso trabalho por Jaú não vai parar. Há muito a ser feito na Prefeitura em benefício da população.” Cassaro também alegou que a operação tinha caráter político, afirmando estar sendo alvo de uma perseguição política.

A investigação destaca um cenário preocupante em relação ao uso da mídia para fins políticos, onde a compra de matérias jornalísticas se torna uma ferramenta para manipular a informação e a percepção pública. O caso levanta questões sobre a ética jornalística e a influência de recursos públicos em conteúdos jornalísticos e digitais.

A operação “Mídia Cativa” segue em andamento, com a Polícia Federal investigando a possível extensão dos envolvidos e buscando responsabilizar aqueles que usaram de meios ilícitos para garantir apoio midiático e político. As autoridades pedem que qualquer informação relevante seja compartilhada para esclarecer ainda mais os fatos e combater a corrupção eleitoral no município.

Este caso se insere em um contexto maior de vigilância sobre o abuso de poder econômico durante o processo eleitoral, e traz à tona a necessidade de proteger a liberdade de imprensa e garantir a imparcialidade nas eleições.

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