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Jovem com síndrome de down sofre abuso sexual em Bastos Foto: Reprodução
Jovem com síndrome de down sofre abuso sexual em Bastos Foto: Reprodução
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A pequena Bastos, cidade do interior paulista conhecida nacionalmente pela força do agronegócio e pela tradição da comunidade japonesa, despertou nesta semana diante de um dos casos mais brutais e perturbadores recentes envolvendo violência contra pessoas vulneráveis no Brasil. O município de pouco mais de 20 mil habitantes, localizado na região de Marília, tornou-se cenário de uma investigação que escancarou uma realidade marcada por abuso sexual, cárcere privado, dependência química, negligência familiar e extrema vulnerabilidade social.

No centro da investigação está uma jovem com deficiência física e síndrome de Down que denunciou ter sido mantida em cárcere privado e submetida a sucessivos abusos sexuais com o consentimento da própria mãe. Segundo o relato da vítima às autoridades, homens eram levados até o local onde ela permanecia isolada havia cerca de dois meses. Antes das agressões, ela recebia drogas oferecidas pelos suspeitos.

A denúncia foi feita dentro do Pronto-Socorro Municipal de Bastos e desencadeou uma operação policial que terminou com a prisão preventiva da mãe da jovem e de um homem apontado como participante direto dos crimes. A Polícia Civil investiga agora a existência de outros envolvidos e tenta entender há quanto tempo os abusos vinham acontecendo.

O atendimento médico que interrompeu o ciclo de violência

A revelação do caso aconteceu em um ambiente onde vítimas vulneráveis frequentemente encontram o primeiro espaço de acolhimento: o sistema público de saúde.

Segundo as informações divulgadas pela polícia, a jovem procurou atendimento no pronto-socorro da cidade e, durante o acolhimento médico, conseguiu relatar a rotina de violência à qual estava submetida. Profissionais da unidade perceberam sinais de sofrimento e acionaram imediatamente a Polícia Militar.

O depoimento da vítima descreve uma dinâmica de violência contínua. De acordo com o relato prestado às autoridades, ela era mantida isolada e obrigada a manter relações sexuais com diversos homens. Ainda segundo a denúncia, os suspeitos ofereciam drogas antes dos abusos.

Mas o elemento mais devastador da investigação surgiu quando a jovem apontou a participação direta da própria mãe nos crimes.

Segundo a delegada Gabriela Brichi, responsável pela investigação na Delegacia de Defesa da Mulher de Bastos, a mãe da vítima seria usuária de drogas e permitia os abusos em troca de entorpecentes. A suspeita elevou drasticamente a gravidade do caso e abriu novas linhas de investigação sobre exploração sexual continuada e violência doméstica contra pessoa vulnerável.

A prisão da mãe e de um dos suspeitos

Após o depoimento da jovem, policiais iniciaram buscas pelos envolvidos. As equipes localizaram um veículo citado pela vítima como sendo utilizado pelos suspeitos. Dentro do carro estavam a mãe da jovem e um homem apontado como participante dos abusos. Ambos foram abordados e negaram as acusações.

Apesar da negativa, os relatos colhidos pela polícia e os elementos iniciais da investigação levaram a Justiça a decretar a prisão preventiva dos dois pelos crimes de estupro de vulnerável e cárcere privado.

Os policiais também realizaram buscas na residência onde a jovem morava. Um terceiro homem, citado pela vítima como autor de abusos ocorridos dias antes da denúncia, não foi localizado até o momento.

A vítima passou por exame sexológico, que confirmou a existência de relação sexual recente. Embora o laudo inicial ainda não determine se houve violência física associada ao ato, juridicamente o caso é tratado como estupro de vulnerável devido à condição intelectual da jovem, considerada incapaz de consentir legalmente uma relação sexual.

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