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Triangulo Mineiro – Uma cena registrada no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (HV-UFU) emocionou profissionais e internautas após a macaca-prego Urucum, ferida depois de sofrer uma descarga elétrica, estender a mão para um veterinário durante o atendimento. O caso aconteceu em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e ganhou repercussão nas redes sociais.
Urucum ficou ferida na última sexta-feira (8) após fugir do hospital veterinário e caminhar sobre fios de energia no bairro Umuarama. Durante o tratamento, a primata buscou contato com o veterinário Márcio Bandarra, chefe do HV-UFU, em um gesto interpretado como um pedido de proteção e segurança.
Segundo o profissional, o comportamento da macaca revela marcas profundas dos maus-tratos sofridos anteriormente.
Macaca apresenta marcas de violência
De acordo com Márcio Bandarra, Urucum possui mais de dez marcas de projéteis de balas de chumbinho espalhadas pelo corpo. O veterinário explicou que a primata demonstra medo constante da aproximação humana e costuma proteger o pescoço sempre que alguém se aproxima.
“Ela está sempre em busca de proteção. Quando segurou minha mão, queria se sentir segura”, afirmou o veterinário.
Urucum faz parte de um grupo de cinco macacos-prego resgatados pelo Ibama em um criadouro irregular em Santa Catarina. Segundo os especialistas, os animais viviam em condições inadequadas e sofriam maus-tratos.
Animais eram mantidos em situação precária
Os macacos chegaram a Uberlândia no início de abril para passarem por exames, tratamento e reabilitação no HV-UFU. Conforme o Ibama, os animais eram mantidos em espaços incompatíveis com os hábitos naturais da espécie, sem estrutura adequada para locomoção e bem-estar.
Os veterinários relataram que muitos apresentavam ferimentos causados pelo contato constante com o chão, além de alterações comportamentais provocadas pelo estresse e pelo manejo agressivo.
Os cinco animais receberam nomes inspirados em árvores brasileiras: Urucum, Manacá, Copaíba, Baobá e Tarumã.
Estado de saúde ainda é delicado
Após sofrer a descarga elétrica durante a fuga, Urucum foi resgatada pela equipe veterinária e segue sob acompanhamento intensivo. Segundo o HV-UFU, o estado de saúde da macaca ainda é considerado grave.
Além das queimaduras provocadas pela descarga elétrica, os animais resgatados apresentam baixo peso, suspeita de diabetes e sinais psicológicos relacionados ao período em que viveram em cativeiro irregular.
Os especialistas afirmam que o processo de recuperação envolve não apenas o tratamento físico, mas também a reconstrução da confiança dos animais no contato com seres humanos.
A expectativa é que, após a recuperação completa, os macacos possam futuramente retornar ao habitat natural. No entanto, ainda não há previsão para a soltura do grupo.
