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Brasil – Um caso de contaminação química em praia da Bahia tem colocado moradores em alerta e impactado diretamente a vida de comunidades costeiras em Salvador. A situação ocorre na praia de São Tomé de Paripe, onde manchas coloridas na água e forte odor têm preocupado frequentadores desde fevereiro.
Manchas e cheiro forte chamam atenção
Com a maré baixa, poças formadas entre as pedras revelam tons azulados e amarelados, além de um brilho incomum na água. O fenômeno, acompanhado por um cheiro intenso, é resultado da presença de substâncias químicas como nitrato, nitrito e cobre.
Diante da gravidade, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos determinou a interdição temporária da praia, enquanto investigações seguem em andamento com apoio da Polícia Civil.
Impacto direto em pescadores e marisqueiras
A região, localizada no Subúrbio Ferroviário, é fonte de sustento para pescadores e marisqueiras que dependem do mar e dos manguezais da Baía de Todos-os-Santos.
Moradores relatam mortandade de peixes, camarões e mariscos, o que compromete não apenas a renda, mas também a segurança alimentar das famílias locais.
“É uma situação crítica”, afirmou o pescador Leandro dos Santos Souza, que vive da atividade há anos.
Estudo aponta “acidente ambiental ampliado”
Um relatório técnico elaborado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz classifica o caso como um “acidente ambiental ampliado”, com efeitos contínuos e cumulativos sobre o meio ambiente e as populações vulneráveis.
Segundo o estudo, comunidades periféricas — em sua maioria negras — são as mais afetadas pela contaminação.
Possíveis riscos à saúde
Especialistas alertam que o contato com os compostos químicos pode causar problemas como:
- Irritações na pele
- Problemas respiratórios
- Infecções e conjuntivite
- Doenças gastrointestinais
Moradores já relatam sintomas compatíveis com exposição a substâncias tóxicas.
Disputa sobre origem da contaminação
As investigações também envolvem o Terminal Itapuã, operado pela empresa Intermarítima.
O Inema afirma que análises laboratoriais indicam compatibilidade entre o material encontrado e os insumos movimentados no terminal. Já a empresa nega responsabilidade, diz colaborar com as investigações e afirma que nunca descartou efluentes na praia.
A antiga operadora, a Gerdau, também foi citada no debate sobre possíveis origens anteriores da contaminação.
Ministério Público recomenda medidas
O Ministério Público da Bahia recomendou a revisão da licença de operação do terminal, apontando falhas no controle ambiental e riscos à saúde pública.
Entre as medidas sugeridas estão:
- Restrição de produtos perigosos
- Melhorias no tratamento de resíduos
- Planos de emergência ambiental
- Monitoramento mais rigoroso da área
Comunidade cobra respostas
Enquanto autoridades investigam, moradores seguem mobilizados. A preocupação vai além do presente: há medo de que os impactos ambientais e sociais se prolonguem por anos.
