Contaminação química em praia da Bahia afeta pesca e saúde
Reprodução do Youtube
Getting your Trinity Audio player ready...

Brasil – Um caso de contaminação química em praia da Bahia tem colocado moradores em alerta e impactado diretamente a vida de comunidades costeiras em Salvador. A situação ocorre na praia de São Tomé de Paripe, onde manchas coloridas na água e forte odor têm preocupado frequentadores desde fevereiro.

Manchas e cheiro forte chamam atenção

Com a maré baixa, poças formadas entre as pedras revelam tons azulados e amarelados, além de um brilho incomum na água. O fenômeno, acompanhado por um cheiro intenso, é resultado da presença de substâncias químicas como nitrato, nitrito e cobre.

Diante da gravidade, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos determinou a interdição temporária da praia, enquanto investigações seguem em andamento com apoio da Polícia Civil.

Impacto direto em pescadores e marisqueiras

A região, localizada no Subúrbio Ferroviário, é fonte de sustento para pescadores e marisqueiras que dependem do mar e dos manguezais da Baía de Todos-os-Santos.

Moradores relatam mortandade de peixes, camarões e mariscos, o que compromete não apenas a renda, mas também a segurança alimentar das famílias locais.

“É uma situação crítica”, afirmou o pescador Leandro dos Santos Souza, que vive da atividade há anos.

Estudo aponta “acidente ambiental ampliado”

Um relatório técnico elaborado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz classifica o caso como um “acidente ambiental ampliado”, com efeitos contínuos e cumulativos sobre o meio ambiente e as populações vulneráveis.

Segundo o estudo, comunidades periféricas — em sua maioria negras — são as mais afetadas pela contaminação.

Possíveis riscos à saúde

Especialistas alertam que o contato com os compostos químicos pode causar problemas como:

  • Irritações na pele
  • Problemas respiratórios
  • Infecções e conjuntivite
  • Doenças gastrointestinais

Moradores já relatam sintomas compatíveis com exposição a substâncias tóxicas.

Disputa sobre origem da contaminação

As investigações também envolvem o Terminal Itapuã, operado pela empresa Intermarítima.

O Inema afirma que análises laboratoriais indicam compatibilidade entre o material encontrado e os insumos movimentados no terminal. Já a empresa nega responsabilidade, diz colaborar com as investigações e afirma que nunca descartou efluentes na praia.

A antiga operadora, a Gerdau, também foi citada no debate sobre possíveis origens anteriores da contaminação.

Ministério Público recomenda medidas

O Ministério Público da Bahia recomendou a revisão da licença de operação do terminal, apontando falhas no controle ambiental e riscos à saúde pública.

Entre as medidas sugeridas estão:

  • Restrição de produtos perigosos
  • Melhorias no tratamento de resíduos
  • Planos de emergência ambiental
  • Monitoramento mais rigoroso da área

Comunidade cobra respostas

Enquanto autoridades investigam, moradores seguem mobilizados. A preocupação vai além do presente: há medo de que os impactos ambientais e sociais se prolonguem por anos.

Publicidade

Destaques ISN

Relacionadas

Menu