Manifestações em defesa da causa animal e por justiça pela morte do cão Orelha tomaram ruas e avenidas de diversas cidades brasileiras ao longo do fim de semana. Em São Paulo, o principal ato ocorreu na Avenida Paulista, onde dezenas de pessoas se reuniram com cartazes, faixas e palavras de ordem pedindo punição aos responsáveis e reforço nas leis contra maus-tratos a animais.
A mobilização foi impulsionada pela forte repercussão do caso nas redes sociais, que transformaram a hashtag #JustiçaPorOrelha em um dos assuntos mais comentados do país. Além da capital paulista, protestos semelhantes foram registrados em outras capitais e cidades do interior, reunindo protetores de animais, ativistas e cidadãos sensibilizados com a violência do caso.
Durante os atos, manifestantes destacaram que a morte de Orelha não é um episódio isolado e defenderam políticas públicas mais rígidas de proteção animal, além de responsabilização efetiva dos envolvidos em casos de crueldade. Muitos participantes levaram seus próprios animais às manifestações como forma simbólica de protesto e conscientização.
Em discursos improvisados e cartazes exibidos ao longo dos protestos, a principal mensagem foi clara: crueldade contra animais não pode ser tratada como algo menor ou banal.
Brutal
Orelha era um cão comunitário de cerca de 10 anos que vivia na Praia Brava, bairro no norte de Florianópolis (SC), onde era conhecido e cuidado por moradores e comerciantes locais há cerca de uma década. Ele fazia parte da rotina da comunidade, recebendo alimentação, abrigo e cuidados veterinários regulares.
Na madrugada de 4 de janeiro de 2026, Orelha foi brutalmente agredido por um grupo de quatro adolescentes, que o atacaram com objetos contundentes, segundo laudo veterinário. Ferido gravemente, o animal foi encontrado dias depois em estado de agonia por uma cuidadora e levado a uma clínica veterinária, onde foi submetido à eutanásia no dia seguinte, 5 de janeiro, devido à gravidade dos ferimentos.
O caso ganhou forte repercussão nacional e internacional, com relatos e vídeos circulando nas redes sociais, gerando indignação entre protetores de animais e a sociedade em geral. A hashtag #JustiçaPorOrelha passou a ser usada em manifestações em diversas cidades do Brasil e também em atos de apoio por grupos de defesa dos animais no exterior.
Envolvidos
As investigações da Polícia Civil de Santa Catarina, com apoio do Ministério Público do estado, apontaram que os adolescentes teriam cometido o ataque, e o caso foi tratado como maus-tratos a animais. As circunstâncias e participações continuam sendo apuradas pelas autoridades competentes.
Os envolvidos no caso são adolescentes. As autoridades competentes abriram procedimento para apuração dos fatos, seguindo os trâmites previstos na legislação brasileira para atos infracionais cometidos por menores de idade. O caso segue sob análise dos órgãos responsáveis, e eventuais medidas socioeducativas podem ser aplicadas conforme o entendimento da Justiça.
Divulgação proibida
A legislação brasileira, por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), proíbe a divulgação de imagens, nomes ou qualquer informação que permita a identificação de menores de idade envolvidos em atos infracionais. A regra vale independentemente da gravidade do caso e tem como objetivo preservar os direitos legais dos adolescentes. O descumprimento dessa norma pode gerar responsabilização civil e criminal para quem divulgar esse tipo de conteúdo.


