A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou nesta segunda-feira (19/1) detalhes de uma investigação que apura a morte de ao menos três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Segundo a polícia, técnicos de enfermagem injetavam desinfetante diretamente na veia das vítimas, em uma prática considerada extremamente grave e sem qualquer respaldo médico.
O caso veio a público agora, apesar de a Operação Anúbis ter sido deflagrada no dia 11 de janeiro de 2026. As prisões ocorreram de forma discreta e somente nesta semana as informações foram oficialmente divulgadas, após o avanço das apurações.
Três técnicos de enfermagem foram presos: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Eles são investigados por envolvimento direto nas mortes ocorridas dentro da UTI da unidade hospitalar.
Mortes no final de 2025
De acordo com a Polícia Civil, os óbitos aconteceram nos dias 17 de novembro, 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025. Na época, as mortes foram interpretadas como naturais, o que só começou a ser questionado após a identificação de padrões considerados incompatíveis com a evolução clínica dos pacientes.
As vítimas identificadas são:
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João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb;
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Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios;
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Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora aposentada.
Frieza e crueldade
A investigação aponta que, no caso de Miranilde Pereira da Silva, um dos técnicos de enfermagem aplicou desinfetante diretamente na veia da paciente, utilizando uma seringa. Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Wisllei Salomão, o produto foi administrado pelo menos dez vezes, após tentativas frustradas de provocar a morte imediata da vítima.
Para a polícia, a conduta demonstra dolo, já que a substância utilizada não possui qualquer indicação terapêutica, muito menos para aplicação intravenosa.
Em depoimentos iniciais, os suspeitos negaram os crimes, afirmando que apenas cumpriam prescrições médicas. No entanto, segundo a PCDF, as versões foram derrubadas por provas técnicas, como registros hospitalares, análise de prontuários e cruzamento de informações internas da unidade.
Ainda de acordo com o delegado, os investigados demonstraram frieza e ausência de arrependimento ao serem confrontados com os elementos reunidos pela investigação.
Motivação desconhecida
Os três técnicos permanecem presos e devem ser indiciados por homicídio doloso qualificado, considerando que as vítimas estavam internadas, sedadas ou em estado de extrema vulnerabilidade, sem qualquer possibilidade de defesa.
A Polícia Civil informou que a motivação dos crimes ainda não foi esclarecida e que o inquérito segue em andamento para apurar se outros pacientes também podem ter sido vítimas ou se mais pessoas participaram ou facilitaram as ações.
O Hospital Anchieta informou que colabora com as investigações e que adotou medidas internas após a identificação das irregularidades.
