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Mundo – A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) continua em situação grave, apesar de alguns sinais de melhora registrados nas últimas semanas. Autoridades das Nações Unidas afirmaram nesta terça-feira (15) que a resposta ao surto começa a apresentar resultados, mas alertaram que ainda pode levar meses para que a transmissão seja controlada.
Julien Harneis, coordenador especial da ONU para o Ebola, afirmou em uma coletiva em Genebra que a epidemia continua sendo “mortal e massiva”. Segundo ele, enquanto algumas regiões apresentam avanços, outras ainda registram crescimento no número de casos.
O surto é provocado pelo vírus Ebola da espécie Bundibugyo e começou a ser registrado na RDC em 2026. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o risco dentro do país muito alto e mantém o evento como uma emergência de saúde pública de importância internacional.
Número de casos ainda cresce
Dados mais recentes citados pela Reuters apontam que a RDC já registrou mais de 7.200 casos confirmados e 3.510 mortes relacionadas à doença em sete províncias.
Apesar do número elevado, autoridades identificam sinais de desaceleração. O governo congolês informou que a média diária de novos casos caiu de aproximadamente 120, no período de maior transmissão em agosto, para cerca de 80 atualmente. Dez das 62 zonas de saúde afetadas também não registraram novos casos por mais de 22 dias.
A OMS, em sua atualização de 10 de setembro, havia contabilizado 7.022 casos confirmados e 3.398 mortes na RDC. A organização ressalta que os números podem sofrer revisões conforme novos dados são incorporados ao sistema de vigilância.
OMS diz que ainda é cedo para falar em pico
Mesmo diante da redução no número diário de novos casos, a OMS mantém cautela sobre a evolução da epidemia.
Olivier le Polain, representante da organização, afirmou que ainda é cedo para concluir que o surto já passou pelo pico. A avaliação considera que diferentes regiões apresentam comportamentos distintos na transmissão do vírus.
A situação é especialmente preocupante em Kivu do Norte, onde o número de casos continua aumentando. Segundo a Reuters, foram registrados 555 novos casos na região nos 21 dias anteriores à atualização desta terça-feira. Problemas de segurança e a grande circulação de pessoas também dificultam o trabalho das equipes de saúde.
Já a província de Ituri, que concentra a maior parte dos casos desde o início do surto, apresenta sinais mais positivos em algumas áreas.
Surto continua sendo uma emergência internacional
A OMS declarou em maio que a epidemia de Ebola causada pelo vírus Bundibugyo na RDC e em Uganda constituía uma emergência de saúde pública de importância internacional. Em agosto, o comitê de emergência da organização decidiu manter essa classificação.
A organização também alerta que a doença continua apresentando risco de expansão para países vizinhos. Em sua avaliação mais recente, o risco foi classificado como muito alto dentro da RDC, alto para países que compartilham fronteiras terrestres com o país e baixo para o restante da região africana e para o nível global.
A resposta enfrenta obstáculos como conflitos e insegurança em algumas regiões, deslocamento da população, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e transmissão em comunidades remotas.
Por isso, embora a queda recente no número de novos casos seja considerada um sinal positivo, autoridades internacionais defendem a manutenção das medidas de vigilância, diagnóstico, isolamento e rastreamento de contatos até que a transmissão seja efetivamente interrompida.

