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Educação – A folha em branco pode ser um dos momentos mais tensos para quem faz o Enem. Com o relógio correndo, muitos candidatos sabem o conteúdo, mas têm dificuldade para transformar as ideias em uma redação organizada e alinhada ao tema proposto.
Para o especialista em educação Bruno Alvarez, head de Ensino e Inovações da Geekie Educação, o problema muitas vezes começa antes mesmo da escrita. A primeira etapa é compreender exatamente o recorte apresentado pela prova e definir qual será a posição defendida ao longo do texto.
Leia o tema antes de começar a escrever
O primeiro passo para uma boa redação é analisar cuidadosamente a proposta. No Enem, o tema geralmente apresenta um recorte específico, muitas vezes marcado por uma palavra ou expressão que direciona o problema a ser discutido.
Termos como “desafios”, “invisibilidade” e “estigma”, por exemplo, podem indicar o ângulo que deverá ser explorado pelo candidato. Escrever apenas sobre o assunto de maneira ampla pode fazer com que o texto se afaste do que foi solicitado.
Depois de entender o recorte, é hora de formular a tese. Uma estratégia sugerida por Alvarez é completar mentalmente a frase: “vou defender que X, porque A e porque B”.
Se o candidato consegue completar essa estrutura com clareza, já tem uma posição definida e dois caminhos para desenvolver os argumentos.
Como organizar introdução, desenvolvimento e conclusão
Com a tese definida, a redação pode ser dividida em três partes principais: introdução, desenvolvimento e conclusão. Cada uma tem uma função específica.
Introdução
A introdução deve apresentar o problema e indicar a tese que será defendida. Uma estrutura possível envolve três movimentos:
- contextualizar o assunto de maneira pertinente;
- apresentar o problema dentro do recorte determinado pelo tema;
- finalizar com uma tese clara.
A recomendação é evitar frases genéricas ou clichês, como “desde os primórdios da humanidade”. Uma referência só deve aparecer quando realmente contribuir para a discussão.
A introdução também não precisa antecipar todos os detalhes dos argumentos. O objetivo é preparar o leitor para a linha de raciocínio que será desenvolvida nos parágrafos seguintes.
Desenvolvimento
Nos parágrafos de desenvolvimento, uma orientação importante é trabalhar um argumento por parágrafo.
Primeiro, o candidato apresenta a ideia principal. Depois, deve explicar e comprovar o argumento, utilizando informações, referências ou exemplos pertinentes. Por fim, precisa relacionar aquela discussão ao problema apresentado pelo tema.
Esse último ponto é fundamental. Citar um autor, uma pesquisa, uma lei ou um acontecimento histórico não garante, por si só, qualidade ao texto. É necessário explicar por que aquela referência sustenta o argumento apresentado.
Assim, o repertório deixa de ser apenas uma informação decorativa e passa a cumprir uma função dentro da argumentação.
Conclusão
A conclusão deve retomar a discussão e apresentar uma proposta de intervenção para o problema abordado.
A proposta precisa contemplar cinco elementos:
- agente: quem será responsável pela ação;
- ação: o que será feito;
- meio: como a medida será colocada em prática;
- finalidade: qual resultado se pretende alcançar;
- detalhamento: informações que expliquem melhor a execução da proposta.
O detalhamento pode ser especialmente importante para tornar a intervenção mais completa. Além disso, a proposta deve respeitar os direitos humanos e estar relacionada à tese desenvolvida durante a redação.
Quais erros podem prejudicar a nota?
Um dos problemas mais graves é a fuga ao tema. Ela acontece quando o candidato desenvolve uma discussão sobre o assunto geral, mas deixa de responder ao recorte específico apresentado na prova.
O tangenciamento também exige atenção. Nesse caso, o texto se aproxima do tema, mas não desenvolve exatamente a questão proposta.
Uma forma de reduzir esse risco é voltar ao enunciado durante o planejamento e, posteriormente, revisar o texto parágrafo por parágrafo. A pergunta deve ser simples: este trecho realmente contribui para responder ao que a prova pediu?
Outro problema está na proposta de intervenção incompleta. Apresentar uma solução genérica, sem explicar quem deve agir ou como a medida funcionaria, pode comprometer o desempenho nessa parte da avaliação.
Também é importante evitar o uso de repertórios sem relação clara com a argumentação. Uma citação famosa ou um dado histórico não fortalece o texto se o candidato não demonstrar sua conexão com a ideia defendida.
Por fim, os erros de língua portuguesa também podem prejudicar a avaliação. Questões como concordância, pontuação e uso da crase merecem atenção durante a revisão.
Planejamento pode evitar erros na redação do Enem
Em vez de tentar memorizar uma grande quantidade de repertórios na reta final, uma estratégia mais eficiente pode ser treinar o processo de construção do texto.
Antes de começar a escrever, o candidato pode reservar alguns minutos para identificar o recorte do tema, formular a tese, selecionar dois argumentos e pensar na proposta de intervenção.
Depois da redação pronta, a revisão deve verificar se o texto permanece dentro do tema, se os argumentos estão bem conectados à tese, se a proposta de intervenção está completa e se existem erros de linguagem.
Com esse planejamento, a folha em branco deixa de ser o primeiro obstáculo. O candidato já começa a escrita sabendo qual problema vai discutir, qual posição pretende defender e de que maneira irá construir sua argumentação.

