Publicidade
Da notícia à emoção: A visão de um Jornalista que transforma o universo esportivo em informação, análise e paixão. Dos bastidores aos gramados, um olhar completo sobre o que move o esporte dentro e fora das quatro linhas.
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
Getting your Trinity Audio player ready...

Sempre ouvi dizer que nenhum jogador pode ser maior do que o clube que defende. Em um país conhecido por formar lendas do futebol mundial, o ditado se torna difícil de seguir — mas não impossível. Mas e quando a situação envolve um estrangeiro que caiu nas graças da torcida e teve a renovação travada justamente no momento da assinatura?

Nesta semana, a não renovação de Memphis Depay com o Corinthians se tornou uma verdadeira novela. O documento estava pronto e ambas as partes já tinham um acordo. Mas, na hora da canetada, o presidente Osmar Stabile recuou, afirmando que a operação seria prejudicial à saúde financeira do Corinthians.

Naturalmente, o jogador se sentiu traído. E se uma dívida superior a R$ 70 milhões não fosse suficiente, o valor a ser cobrado ganhou cifras ainda maiores, com a possibilidade de chegar a R$ 180 milhões em razão do contrato que não foi assinado por Stabile.

Entendo o lado do jogador, que expressou publicamente seu desejo de seguir defendendo o Timão e apenas lutou pelo que entende ser seu direito. Também entendo o lado do clube, que não pode assumir uma dívida de longo prazo para manter um jogador importante, mas cuja saída, por mais dolorosa que seja, também não significaria o fim do mundo.

O problema é que, ao recuar no momento da assinatura, o Corinthians pode ter criado uma situação ainda mais delicada para si. Pelo risco da alta multa, o clube estaria dando o braço a torcer e reconsiderando a renovação com Memphis. Ou seja, aquilo que começou como uma tentativa de proteger as finanças pode terminar colocando o Corinthians em uma posição ainda mais desconfortável.

E é justamente aí que Memphis passa a ter a faca e o queijo na mão. O jogador, que inicialmente parecia ser o lado mais prejudicado pela decisão do clube ganha força nas negociações justamente por causa do risco financeiro criado pelo próprio Corinthians. A torcida, que queria a permanência do holandês, assiste de perto a uma disputa em que o clube perdeu margem de manobra.

No fim, a tentativa de colocar o clube acima do jogador pode ter produzido justamente o efeito contrário. Ao recuar de um acordo já encaminhado, o Corinthians não apenas fortaleceu a posição de Memphis, como também aumentou o preço de uma possível saída. O clube quis mostrar que nenhum jogador é maior que sua camisa, mas pode ter entregado ao jogador o controle da situação.

Destaques ISN

Relacionadas

Menu