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Por Odair Dias Filho
A produção audiovisual da Baixada Santista vive um momento de celebração e consolidação. Três curtas-metragens produzidos por estudantes do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Católica de Santos (UniSantos) — Looping, Até o Sol se Pôr e Interlúdio —, após brilharem na Mostra Universitária Regional da 12ª edição do Santos Film Fest, ganharam as telas do mundo, alcançando seleções e premiações em festivais na Moldávia, Colômbia e Coreia do Sul.
Mais do que conquistas individuais de jovens realizadores, essa trajetória internacional traduz a vitalidade de um ecossistema cultural em que a formação acadêmica e o fomento oferecido pelos festivais locais caminham de mãos dadas.

O Cinema como Propulsor Cultural e Educacional

A produção cinematográfica universitária é, por excelência, o laboratório onde surgem as novas linguagens e narrativas de uma sociedade. No curso de Cinema e Audiovisual da UniSantos, sob a coordenação do cineasta e professor Wanderley Augusto Camargo, o exercício de sala de aula transcende a teoria e ganha corpo em obras autorais de forte impacto humano e social.
A passagem desses filmes da sala de aula para as telas internacionais evidencia a urgência do investimento contínuo na formação técnica, estética e crítica. Quando o cinema jovem recebe espaço e infraestrutura para se expressar, a cultura regional ganha visibilidade global, projetando a Baixada Santista como um polo produtor e criativo de relevância inquestionável.

Santos Film Fest: História, Resistência e Celebração Audiovisual

Nenhum movimento cinematográfico se consolida sem janelas de exibição. É nesse cenário que o Santos Film Fest – Festival de Cinema de Santos desempenha um papel histórico e transformador. Posicionado hoje entre os cinco maiores festivais gratuitos do Brasil e entre os 15 maiores eventos cinematográficos do País, o festival nasceu com a missão de democratizar o acesso à sétima arte e descentralizar a difusão audiovisual no litoral paulista.
Em sua 12ª edição, realizada entre 18 e 26 de agosto de 2026, o festival reafirmou sua grandeza ao registrar 2.051 inscrições vindas de todos os estados brasileiros, do Distrito Federal e de 16 países, exibindo mais de 120 filmes espalhados por diversos pontos da cidade de Santos.
Ao longo de sua história, o Santos Film Fest construiu uma trajetória pautada na inclusão, na formação de público e na valorização dos realizadores independentes. Suas atividades englobam desde mostras competitivas até oficinas, debates e homenagens a grandes nomes do cinema nacional, transformando a cidade de Santos em uma verdadeira capital do cinema durante sua realização.

Estimular, Exibir e Valorizar: A Semente da Mostra Universitária

Um dos pilares mais potentes do Santos Film Fest é a Mostra Universitária Regional – Baixada Santista, um espaço dedicado a acolher e impulsionar o trabalho de estudantes e novos cineastas da região. Longe de ser apenas uma vitrine passiva, a mostra funciona como uma rampa de lançamento para os trabalhos acadêmicos, oferecendo avaliação rigorosa e visibilidade qualificada.
Para assegurar a isenção e o prestígio da avaliação, o festival reuniu um júri externo de alto nível na edição de 2026: o ator Tay (natural de Cubatão e com trajetória em produções nacionais no Rio de Janeiro), a renomada atriz Ondina Clais (madrinha do festival, com mais de quatro décadas de carreira) e a cineasta Dandara Ferreira (diretora de Meu Nome é Gal e Anatomia do Caos). Esse olhar atento de profissionais consagrados chancela a qualidade técnica e artística das obras locais.

Da Baixada para o Mundo: Os Curtas em Destaque

As obras premiadas e exibidas no festival santista hoje colhem frutos em diferentes continentes:
  • “Looping” (Dir. Hugo Baroni): Com cerca de 17 minutos, captado em celular e produzido de forma independente, o curta aborda o luto e a saúde mental ao acompanhar a rotina terapêutica de Taylor. Após conquistar sete prêmios no New York Movie Awards (incluindo filme estudantil, direção, produção e atuação), a obra avançou para a condição de semifinalista no Serbest International Film Festival (SIFF) 2026, na Moldávia.
  • “Até o Sol se Pôr” (Dir. Alícia Munhoz): Nascido na disciplina Introdução à Linguagem e Produção Audiovisual, ministrada pelo professor André Azenha, o filme trata de amizade e superação diante da descoberta do retorno de uma doença na juventude. Agraciado com Menção Honrosa do Júri no Santos Film Fest, o curta foi selecionado para o Mujeres Film Festival 2026, na Colômbia.
  • “Interlúdio” (Dir. Bruna Matos e Lari Costa): Sensível narrativa sobre a maternidade e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o filme conquistou os prêmios de Melhor Direção pelo Júri e Melhor Direção pelo Voto Popular no 12º Santos Film Fest. Internacionalmente, foi o único representante de Santos a integrar a seleção oficial do prestigiado Busan Inter-City Film Festival, na Coreia do Sul.

Um Futuro Promissor para a Sétima Arte Regional

O sucesso de Looping, Até o Sol se Pôr e Interlúdio nos festivais da Moldávia, Colômbia e Coreia do Sul comprova que quando há incentivo, espaço de exibição e formação acadêmica de excelência, as fronteiras para o cinema regional desaparecem.
O Santos Film Fest segue cumprindo com maestria sua missão de formar públicos, premiar talentos e projetar a Baixada Santista no mapa do cinema global. Que estes passos celebrem não apenas o presente, mas inspirem as futuras gerações de realizadores que continuam a contar as histórias da nossa terra para o mundo.

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