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Mundo – Cuba marcou nesta quinta-feira (13) o centenário do nascimento de Fidel Castro, líder da Revolução Cubana de 1959, em um momento de forte crise econômica e política. As comemorações reúnem mais de 1.500 ativistas e representantes de organizações de solidariedade de mais de 60 países.
As homenagens acontecem enquanto o país enfrenta dificuldades no abastecimento de energia, impactos econômicos das sanções dos Estados Unidos e tensões crescentes entre Havana e Washington.
Centenário é marcado por homenagens
Fidel Castro nasceu em 13 de agosto de 1926, na província de Holguín, no leste de Cuba. Ele liderou a Revolução Cubana de 1959 e permaneceu como uma das principais figuras políticas do país por décadas.
Durante a abertura de uma conferência internacional sobre o legado do líder, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que Fidel deve ser lembrado não apenas como uma figura histórica, mas também como uma referência diante dos desafios enfrentados pelo país atualmente.
Segundo o governo cubano, representantes da América Latina, Europa, África e Ásia participaram das atividades organizadas para marcar os 100 anos do nascimento de Fidel.
Crise econômica agrava dificuldades em Cuba
As celebrações ocorrem em meio a uma das fases mais difíceis da economia cubana. Segundo a reportagem, cortes de energia superiores a 20 horas por dia atingem a maioria das províncias, afetando setores como produção de alimentos, transporte e turismo.
O sistema elétrico nacional também registrou três falhas em todo o país somente em julho, aumentando a pressão sobre uma população que já enfrenta dificuldades econômicas.
O governo cubano atribui parte importante dos problemas às medidas adotadas pelos Estados Unidos. Em janeiro, Washington impôs um embargo de petróleo à ilha e posteriormente ampliou as sanções contra o país.
Governo anuncia mudanças na economia
Diante da crise, o governo cubano aprovou em junho um pacote com 176 medidas destinadas a ampliar a participação do investimento privado e estrangeiro na economia.
A mudança representa uma tentativa de responder às dificuldades econômicas sem abandonar formalmente o modelo socialista adotado pelo país.
No setor energético, porém, a reportagem aponta que o cenário continua complexo, com crescimento das importações de combustível dos Estados Unidos por empresas privadas cubanas e expansão de um mercado paralelo.
Fidel ainda é lembrado por parte da população
Mesmo uma década após sua morte, Fidel Castro continua ocupando um espaço importante na identidade política e histórica de Cuba.
Para alguns cubanos, a atual crise alimenta uma visão nostálgica do período em que Fidel comandava o país. O morador de Havana Benito Cisneros, de 62 anos, afirmou que o antigo líder talvez tivesse outras soluções para enfrentar o momento atual.
Ao mesmo tempo, o professor de História da Universidade de Havana Fabio Fernández avalia que a referência constante a Fidel também funciona como uma forma de preservar o consenso político.
O centenário, portanto, acontece em um momento de contraste: enquanto o governo cubano celebra o legado do líder revolucionário, a população enfrenta problemas econômicos que colocam à prova o modelo construído ao longo das últimas décadas.

