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Política – Uma publicação com imagem de IA que simulava uma fotografia da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) deverá ser retirada das redes sociais por determinação do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE).
A decisão classificou o conteúdo como propaganda antecipada negativa e apontou uso irregular de inteligência artificial. A publicação havia sido divulgada pelo perfil “@juventudejoaocampos” e trazia uma imagem de IA que, segundo a representação, simulava a proximidade política entre os dois políticos.
Imagem de ia gerou questionamento
A postagem era acompanhada da frase “em Pernambuco o Bolsonarismo é Roxo!”. Na legenda, o perfil escreveu: “Na ciranda de Raquel, no fim das contas, todo mundo vira Bolsonaro”.
Para a Justiça Eleitoral, o conteúdo apresentava indícios de manipulação sintética não identificada e poderia levar o eleitorado a uma interpretação equivocada sobre o posicionamento político de Raquel Lyra.
A decisão considerou que a publicação atribuía à governadora um alinhamento com o bolsonarismo que, segundo o processo, não havia sido declarado por ela.
O tribunal também avaliou que manter o material disponível poderia ampliar sua circulação e o número de pessoas alcançadas pelo conteúdo.
TRE-PE aponta risco de confusão entre realidade e conteúdo sintético
Um dos pontos centrais da decisão é a possibilidade de a imagem produzida ou alterada por inteligência artificial ser interpretada como uma fotografia real.
A tecnologia permite criar imagens extremamente realistas de pessoas em situações que nunca aconteceram. No contexto eleitoral, esse recurso levanta uma questão especialmente delicada: até que ponto um conteúdo artificial pode influenciar a percepção do eleitor quando não fica claro que aquela situação foi criada digitalmente?
No caso analisado pelo TRE-PE, o tribunal entendeu que havia elementos suficientes para determinar a retirada da publicação.
A decisão ocorre enquanto a Justiça Eleitoral discute regras para o uso de inteligência artificial durante as eleições. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também tem debatido os limites para conteúdos produzidos ou modificados com essa tecnologia.
Uso de IA nas eleições entra no radar da Justiça Eleitoral
A discussão ganhou força durante o período eleitoral de 2026, diante do aumento da utilização de ferramentas capazes de produzir imagens, vídeos e áudios realistas.
O TSE deve discutir o tema para buscar um entendimento sobre a utilização da inteligência artificial nas campanhas antes de analisar definitivamente uma ação relacionada a um vídeo produzido com IA envolvendo Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio Bolsonaro.
A preocupação da Justiça Eleitoral está relacionada principalmente à possibilidade de conteúdos sintéticos serem apresentados de maneira que dificulte ao eleitor distinguir uma situação verdadeira de uma criação digital.
Disputa eleitoral em Pernambuco também envolve acusações nas redes
A decisão do TRE-PE ocorre em meio a uma disputa marcada por acusações envolvendo conteúdos publicados nas redes sociais em Pernambuco.
A campanha de João Campos (PSB) acionou a Justiça Eleitoral após alegar ser alvo de ataques coordenados e de disseminação de informações falsas nas plataformas digitais. A representação levantou ainda a suspeita de existência de uma estrutura digital financiada com recursos provenientes de contratos de publicidade do governo estadual.
A campanha de Raquel Lyra também havia recorrido à Justiça anteriormente, alegando ser alvo de ataques coordenados nas redes sociais.
No caso mais recente envolvendo João Campos, a assessoria da governadora afirmou que nenhuma irregularidade havia sido comprovada e declarou receber a abertura da ação com tranquilidade.
A retirada da imagem envolvendo Raquel Lyra e Flávio Bolsonaro acrescenta mais um capítulo à disputa eleitoral e evidencia um dos novos desafios das eleições: diferenciar conteúdo político legítimo de imagens manipuladas ou criadas artificialmente que possam alterar a percepção do eleitor.

