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Mundo – Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na manhã desta segunda-feira (10) e provocou uma das maiores emergências recentes do país. O tremor deixou ao menos 132 mortos e 570 feridos, além de derrubar dezenas de edifícios, interromper operações em aeroportos e mobilizar equipes de resgate em diferentes regiões.
O epicentro foi localizado próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó. Com base em dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o terremoto ocorreu a aproximadamente 107 quilômetros de profundidade. O tremor foi sentido em várias cidades colombianas, incluindo Bogotá, Cali e Pereira.
O cenário, no entanto, continua em evolução. Equipes de emergência permanecem trabalhando entre os escombros à procura de pessoas que possam ter ficado presas após os desabamentos.
Pereira e Cali estão entre as cidades mais afetadas
Pereira, na região conhecida pela produção de café, concentra parte significativa das vítimas. Segundo a Associação Colombiana de Cidades Capitais, 60 mortes foram registradas somente na cidade. Ao todo, 86 edifícios haviam desabado no balanço divulgado pela entidade, enquanto cinco capitais estavam em alerta vermelho.
Cali também sofreu danos expressivos. O prefeito Alejandro Eder informou inicialmente que 20 prédios haviam desabado e que havia pessoas presas nas estruturas. As equipes de emergência passaram a vasculhar os destroços em busca de sobreviventes.
Entre os locais atingidos estão estruturas hospitalares. As alas pediátrica e neonatal de um hospital em Cali ficaram entre as áreas que desabaram, aumentando a pressão sobre os serviços de atendimento em meio à emergência.
Em Chocó, região onde está localizado o epicentro, também foram registrados feridos e danos graves em edificações. A governadora Nubia Carolina Córdoba-Curi afirmou que as autoridades estavam realizando uma avaliação dos estragos e demonstrou preocupação com a possibilidade de novas réplicas.
Aeroportos tiveram operações suspensas
O terremoto também afetou a infraestrutura de transporte aéreo. Inicialmente, a Autoridade de Aeronáutica Civil da Colômbia informou que seis aeroportos haviam sofrido danos e tiveram suas operações suspensas por segurança.
Foram afetados os terminais de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura. Posteriormente, o balanço da Associação Colombiana de Cidades Capitais apontou que sete aeroportos haviam suspendido as operações. A suspensão foi adotada enquanto as estruturas passavam por avaliações para verificar a extensão dos danos.
A situação pode afetar passageiros que estejam viajando pelo país, especialmente nas regiões de Cali e do chamado eixo cafeeiro, que inclui Pereira, Manizales e Armenia.
Terremoto também provocou alerta para atividade vulcânica
Horas depois do terremoto, a Colômbia passou a monitorar também a atividade do vulcão Puracé, que começou a expelir cinzas e gases. O fenômeno chamou a atenção das autoridades e de especialistas porque ocorreu após o forte abalo sísmico.
Segundo análise, o terremoto colombiano ocorreu em uma região influenciada pela interação entre placas tectônicas. O analista de clima e meio ambiente Pedro Côrtes explicou que terremotos e atividade vulcânica podem estar relacionados em determinadas condições geológicas.
O especialista também destacou a possibilidade de novas réplicas. Um tremor de magnitude 5 foi registrado cerca de 45 minutos após o abalo principal, segundo informações do USGS. Réplicas são especialmente preocupantes em áreas onde prédios e outras estruturas já foram danificados, porque podem provocar novos desabamentos.
Apesar da atividade no Puracé, a situação não significa que uma erupção de grandes proporções esteja necessariamente prestes a acontecer. O monitoramento serve justamente para acompanhar a evolução do vulcão e identificar alterações que possam representar risco.
Governo decreta emergência e prioriza buscas
O presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, declarou estado de emergência nacional e determinou a mobilização de recursos para atender as regiões atingidas.
Em pronunciamento, o presidente afirmou que a prioridade do governo era localizar e retirar pessoas presas sob os escombros. Soldados foram enviados para áreas afetadas, enquanto equipes de emergência trabalham nas operações de busca e salvamento.
A resposta ocorre em meio a dificuldades provocadas pelos próprios danos do terremoto. Em algumas regiões, problemas de infraestrutura e comunicação dificultaram a chegada de informações sobre vítimas e destruição, fazendo com que os números fossem atualizados gradualmente.
Estados Unidos anunciam US$ 15,5 milhões em ajuda
A dimensão da tragédia também provocou uma reação internacional. Os Estados Unidos anunciaram a destinação de US$ 15,5 milhões para auxiliar a Colômbia após o terremoto.
De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, os recursos serão utilizados em abrigos de emergência, alimentação, proteção e avaliação dos danos provocados pelo tremor.
Outros países também manifestaram solidariedade e disposição para colaborar com o governo colombiano durante a resposta à emergência.
O Brasil está entre os países que se colocaram à disposição da Colômbia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às famílias das vítimas e afirmou que o país permanece disponível para prestar o apoio necessário.
Embaixada diz não haver brasileiros afetados
Apesar da gravidade da situação, não havia, até a atualização divulgada pelo embaixador brasileiro na Colômbia, registros de brasileiros diretamente afetados pelo terremoto.
Paulo Estivallet de Mesquita afirmou que a embaixada acompanha a situação e mantém canais de contato com a comunidade brasileira. Bogotá e Medellín concentram grande parte dos brasileiros residentes no país e não registraram danos significativos.
Cali é uma das áreas que mais preocupam as autoridades brasileiras, assim como as cidades do eixo cafeeiro, onde há uma comunidade brasileira crescente. O embaixador estimou entre 10 mil e 15 mil o número de brasileiros que vivem permanentemente na Colômbia.
Bogotá sente o tremor, mas sem grandes danos
Na capital colombiana, o terremoto foi sentido por moradores durante a manhã. Alarmes dispararam e muitas pessoas deixaram edifícios por precaução.
O prefeito de Bogotá, Carlos Fernando Galán, informou inicialmente que não havia relatos de danos estruturais significativos na cidade, embora algumas rachaduras tenham sido identificadas em edifícios. Equipes foram mobilizadas para verificar diferentes áreas da capital.
A distância em relação ao epicentro ajudou a limitar os impactos mais graves na capital. A destruição ficou concentrada principalmente no oeste do país, especialmente em áreas próximas ao departamento de Chocó e no eixo que inclui Pereira e Cali.
Colômbia enfrenta uma emergência ainda em andamento
O terremoto de magnitude 7,4 transformou a manhã de segunda-feira em uma corrida contra o tempo para equipes de resgate, autoridades e moradores das regiões atingidas.
Com dezenas de estruturas destruídas, centenas de feridos e a possibilidade de novas réplicas, o desafio agora não se limita ao resgate de sobreviventes. A Colômbia também precisará avaliar os danos à infraestrutura, restabelecer serviços e organizar a assistência às comunidades que perderam casas e tiveram suas cidades afetadas.
Enquanto os números de vítimas e prejuízos continuam sendo atualizados, a prioridade permanece nas buscas por pessoas que ainda podem estar sob os escombros. O terremoto também deixa uma pergunta inevitável para os próximos dias: como reconstruir as áreas atingidas e, ao mesmo tempo, preparar a população para novos tremores?
Atualização: os números de vítimas podem sofrer alterações conforme as equipes de emergência avancem nas buscas e as autoridades consolidem os dados.

