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Vergonha da Seleção

 

Muitos brasileiros torcem contra a seleção argentina. Secam “los hermanos”. Mas mesmo esses, maioria esmagadora, não conseguiram esconder a admiração e a inveja pela postura que Messi e Cia demonstraram nesta Copa.

Escrevo antes da final, Talvez a decisão desminta um pouco essa visão. Talvez confirme ou até acentue.   

E aí vem a pergunta: por que a admiração e a inveja?

Porque o time brasileiro não transmite ao torcedor nada parecido com essa união, com esse vínculo com a torcida, com essa fé inabalável na capacidade de reagir, de virar resultados quando tudo parece perdido, impossível.

Os jogadores mais baixos ganham as disputas aéreas dos grandalhões, os veteranos encontram suprimentos secretos de energia para enfrentar prorrogações, os pernas-de-pau se refinam tecnicamente, o canhoto acerta chutes precisos com a perna direita, o goleiro faz milagres… a lista de prodígios da seleção argentina nos gramados é interminável. Até a inexplicável capacidade de desafiar a gravidade e parar no ar como um beija-flor antes do cabeceio, antes exclusividade do brasileiríssimo Dadá Maravilha, virou artigo do arsenal argentino.  

Já os brasileiros parecem estar predestinados a fazer apenas o arroz com feijão, mal e mal o que o treinador mandou. Cansam mais rapidamente, desanimam das jogadas, parecem mais preocupados com cabelos e barbas, caras e bocas, brincos e tatuagens, mochilas e tênis de grifes, cliques e likes.

A Seleção Brasileira não é mais, e já faz tempo, a pátria de chuteiras. O torcedor sente esse distanciamento e a mobilização da torcida neste ano pareceu muito frágil, muito artificial, muito turbinada pela publicidade.

Os jogadores brasileiros não têm mais entusiasmo, envolvimento, paixão pela seleção. As individualidades se sobrepõem ao coletivo. A camiseta amarela, para eles, se transformou só num passaporte para contratos milionários com clubes europeus ou, no final da carreira, árabes

A questão é cultural. Não é porque eles jogam fora do país desde cedo na carreira, porque os argentinos também jogam, Até os de Cabo Verde jogam.

Talvez seja a falta de uma grande liderança em campo. As seleções campeãs em 58 e 62 tinham Zito assim como a de 94 tinha Dunga. Um jogador com essa têmpera faz o time todo se doar em campo.   

Talvez seja a esculhambação completa da cartolada. Presidentes da CBF presos ou totalmente mergulhados na lama dos conchavos e da corrupção, incompetentes, envolvidos pelo dinheiro fácil e vicioso das bets, eleitos pelos presidentes de federações em troca da cargos, viagens e sabe-se lá o que mais.

O jogador vê a coisa avacalhada nos gabinetes climatizados e também avacalha em cima dos gramados.

A pergunta / mistério / charada é de vários milhões de dólares. E precisa ser equacionada e respondida nos próximos 4 anos. Se não for, o castigo vai ser mais uma Copa com uma seleção totalmente fora de sintonia com a torcida, com o futebol atual, com o país.

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