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Por Odair Dias Filho
BRASÍLIA – Em um cenário de intensa tensão diplomática desencadeada pela imposição de novas tarifas de 25% pelo governo dos Estados Unidos, uma declaração feita durante uma sabatina no Senado americano, nesta quinta-feira (16 de julho de 2026), trouxe um novo contraponto técnico ao debate. Daniel Peréz, indicado para o cargo de embaixador dos EUA no Brasil, admitiu, ao ser questionado pelo senador democrata Tim Kaine, que o país norte-americano mantém um saldo positivo nas trocas com o Brasil.
“Nós realmente temos um superávit comercial com o Brasil”, afirmou Peréz, reconhecendo um dado oficial que o governo brasileiro utiliza para refutar a narrativa de Washington sobre “práticas comerciais desleais”. A admissão é vista pelo Palácio do Planalto como um respaldo diplomático crucial no momento em que o país prepara respostas baseadas na Lei da Reciprocidade Econômica e na defesa da soberania nacional.
Panorama do Fluxo Comercial (Dados Semestrais 2026)
Embora os EUA sejam um parceiro estratégico, a balança comercial tem sido marcada por um déficit para o lado brasileiro. O quadro abaixo detalha o fluxo de mercadorias no primeiro semestre de 2026, evidenciando a dependência da indústria nacional por insumos americanos de alto valor agregado.
| Setor | Exportações Brasileiras (US$) | Importações Brasileiras (US$) | Saldo Comercial (US$) |
| Indústria de Transformação | 12,8 Bilhões | 15,2 Bilhões | – 2,4 Bilhões |
| Agronegócio | 3,2 Bilhões | 0,8 Bilhões | + 2,4 Bilhões |
| Indústria Extrativa | 1,1 Bilhões | 1,4 Bilhões | – 0,3 Bilhões |
| Outros/Serviços | 0,3 Bilhões | 1,55 Bilhões | – 1,25 Bilhões |
| TOTAL (Semestre) | 17,4 Bilhões | 18,95 Bilhões | – 1,55 Bilhões |
Reação dos Setores Produtivos e Críticas à Política Tarifária
A decisão de Washington, fundamentada na “Seção 301”, impacta cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA, gerando reações coordenadas do setor privado e do governo.
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Indústria em Alerta: Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), criticou severamente a medida. “A imposição tarifária é uma via de mão única que corrói a competitividade da indústria brasileira e amplia a insegurança jurídica. Estamos taxando insumos que sustentam a própria cadeia produtiva americana”, afirmou Alban.
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Posição Oficial: O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou as tarifas como “injustas e descabidas”. Alckmin lembrou que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 424 bilhões com o Brasil. “Não aceitaremos que a soberania brasileira sobre políticas tecnológicas — como o nosso sistema Pix — seja moeda de troca para o comércio”, reforçou o vice-presidente.
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Impacto no Varejo: Grandes grupos empresariais, incluindo representantes da indústria de alimentos, alertam que o aumento de custos nos insumos brasileiros deve ser repassado diretamente ao consumidor final nos EUA, elevando o custo de vida para a população americana.
Defesa da Soberania Econômica
O governo brasileiro reafirma que a resposta às sanções não é um ato de “vingança”, mas uma medida de segurança financeira. O programa “Brasil Soberano” foi reativado para oferecer linhas de crédito emergenciais a setores impactados. O Brasil também mantém a disposição de levar o contencioso à Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as tarifas unilaterais ferem os tratados globais de facilitação de comércio.
A declaração de Peréz, ao confirmar que o superávit americano é “um fato”, fornece um argumento técnico valioso para as próximas rodadas de negociação. Enquanto as tarifas entram em vigor em 22 de julho, o governo brasileiro mantém a postura de que qualquer diálogo sobre a relação bilateral deve respeitar a autonomia regulatória e financeira do país.

