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Brasil – Mais de 14 mil barragens estão cadastradas no Brasil, mas um novo relatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) acende um alerta para a segurança dessas estruturas. O levantamento aponta que 213 barragens são consideradas prioritárias para gestão de risco, por apresentarem problemas de conservação ou falhas no cumprimento das exigências legais de segurança.
Os dados fazem parte do Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado nesta quarta-feira (8), e mostram que, apesar dos avanços na fiscalização, o país ainda enfrenta desafios para prevenir acidentes e fortalecer o monitoramento dessas estruturas.
Relatório identifica barragens com maior risco
Segundo a ANA, as 213 barragens classificadas como prioritárias estão distribuídas por 19 estados e pelo Distrito Federal. Elas exigem atenção especial por apresentarem deficiências estruturais ou por não atenderem integralmente às normas estabelecidas pela Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).
Os estados com maior concentração dessas estruturas incluem Ceará, Mato Grosso e São Paulo.
Embora representem uma parcela pequena do total de barragens cadastradas, esses empreendimentos possuem potencial para causar impactos significativos em caso de rompimento, atingindo populações, rodovias, pontes e outras infraestruturas.
Mineração lidera número de barragens prioritárias
O setor de mineração concentra o maior número de estruturas consideradas críticas, com 55 barragens, o equivalente a 26% do total.
Na sequência aparecem:
- Abastecimento de água: 51 barragens (24%);
- Irrigação: 29 (14%);
- Regularização de vazão: 20 (9%);
- Paisagismo: 17 (8%);
- Dessedentação de animais: 16 (8%);
- Outros usos: 25 (12%).
O relatório destaca que a classificação não significa, necessariamente, risco iminente de rompimento, mas indica a necessidade de ações prioritárias de fiscalização, manutenção e regularização.
Acidentes diminuíram, mas problemas continuam
Em 2025, o Brasil registrou 18 acidentes e 23 incidentes envolvendo barragens. Segundo a ANA, não houve mortes, porém ocorreram evacuações preventivas, além de danos em estradas, pontes e outras estruturas.
A diferença entre os registros está na gravidade da ocorrência:
- Acidentes envolvem o colapso da estrutura da barragem;
- Incidentes são ocorrências que comprometem a segurança e aumentam o risco de rompimento, sem que a estrutura tenha falhado completamente.
Quase metade das barragens ainda tem situação indefinida
Outro dado que chama atenção é a falta de informações sobre milhares de estruturas.
O Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB) contabilizou 29.761 barragens cadastradas em 2025, mas 14.355 delas (48%) permanecem com situação indefinida.
Segundo a ANA, isso ocorre porque os órgãos responsáveis ainda não forneceram informações suficientes para enquadrar essas barragens dentro da Política Nacional de Segurança de Barragens.
Entre as estruturas já classificadas:
- 8.797 estão em condições consideradas adequadas;
- 6.609 possuem alto ou médio potencial de dano ou elevado grau de risco.
Fiscalização enfrenta déficit de profissionais
O relatório também aponta dificuldades na estrutura responsável pela fiscalização.
Pela primeira vez desde o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, houve redução no número de profissionais dedicados ao monitoramento dessas estruturas.
Atualmente, os 33 órgãos fiscalizadores contam com 333 profissionais, sendo:
- 161 dedicados exclusivamente à segurança de barragens;
- 172 que acumulam essa função com outras atividades.
A ANA estima que seriam necessários pelo menos mais 221 profissionais para atender à estrutura mínima recomendada.
Apesar da redução no quadro de servidores, o número de fiscalizações aumentou em 2025. As inspeções presenciais passaram de 2.859 para 2.924, enquanto as análises documentais cresceram de 3.162 para 4.712, um avanço de 49%.
O que diz a Política Nacional de Segurança de Barragens?
A Política Nacional de Segurança de Barragens estabelece critérios para identificar estruturas que exigem monitoramento mais rigoroso.
Entram nessa classificação barragens que apresentam pelo menos uma das seguintes características:
- capacidade superior a 3 milhões de metros cúbicos;
- altura superior a 15 metros;
- armazenamento de resíduos perigosos;
- dano potencial associado médio ou alto em caso de acidente.
O relatório reforça que ampliar a fiscalização e completar o cadastro das barragens ainda sem classificação são medidas consideradas essenciais para reduzir riscos e fortalecer a prevenção de acidentes no país.

