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Flávio Bolsonaro
Reprodução internet
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Política – Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem intensificado o debate sobre o possível tarifaço dos Estados Unidos como forma de reduzir o impacto político da crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dentro do campo bolsonarista.

Segundo aliados do Palácio do Planalto, o tema das tarifas comerciais recoloca a disputa presidencial no centro das discussões e desvia a atenção das divergências internas entre lideranças da oposição.

Governo associa estratégia ao cenário eleitoral

De acordo com integrantes do governo, a mobilização de Flávio Bolsonaro em torno das negociações comerciais com os Estados Unidos teria também o objetivo de fortalecer sua imagem como pré-candidato à Presidência da República.

Na avaliação de aliados de Lula, o senador busca transformar o debate sobre as tarifas em uma pauta nacional, diminuindo o espaço dedicado às recentes tensões políticas envolvendo Michelle Bolsonaro.

Planalto cita episódios anteriores

Pessoas próximas ao presidente afirmam que esta não seria a primeira vez que Flávio Bolsonaro recorre ao cenário internacional durante momentos de desgaste político.

Como exemplo, integrantes do governo mencionam a viagem do senador aos Estados Unidos em meio à repercussão de notícias sobre conversas com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação do governo, temas ligados aos Estados Unidos e à segurança pública costumam integrar a estratégia política do parlamentar.

Tarifaço amplia disputa entre governo e oposição

O embate ganhou força após Flávio Bolsonaro encaminhar às autoridades norte-americanas um documento defendendo que a decisão sobre as tarifas seja adiada e argumentando que a manutenção da medida representaria uma “vitória política” para o governo Lula.

O texto também propõe alterações na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, incluindo uma flexibilização de compromissos assumidos pelo Brasil no Mercosul.

Em resposta, Lula afirmou nas redes sociais que o adiamento das tarifas para depois das eleições representaria uma postura contrária aos interesses nacionais.

“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, escreveu o presidente.

Lula também reiterou que o Brasil “não está à venda”, defendeu a soberania nacional, o Mercosul e o sistema de pagamentos Pix.

Flávio rebate críticas de Lula

Após a publicação do presidente, Flávio Bolsonaro voltou às redes sociais para contestar as declarações.

O senador afirmou que Lula seria “o único que quer o tarifaço contra produtos brasileiros” e acusou o governo de não ter conduzido negociações suficientes para evitar as possíveis sanções comerciais.

Além das críticas à política externa do governo, Flávio voltou a relacionar o debate às pautas de segurança pública, tema que tem sido recorrente em seus discursos.

EUA decidem sobre tarifas nas próximas semanas

Enquanto o embate político se intensifica, o governo brasileiro segue negociando com representantes dos Estados Unidos para evitar a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

A expectativa é que a decisão do governo norte-americano seja anunciada até 15 de julho. Antes disso, Flávio Bolsonaro participará de uma audiência pública em Washington para discutir o tema, enquanto o governo Lula continuará tentando construir um acordo bilateral.

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