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Antes das rugas: uma geração muda a forma de envelhecer
Foto divulgação
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Adultos entre 25 e 35 anos deixam de procurar tratamentos para corrigir marcas do tempo e passam a investir em cuidados que unem saúde da pele, prevenção e longevidade

Durante décadas, a relação com o envelhecimento seguiu um roteiro conhecido. As primeiras rugas apareciam, a pele perdia parte da firmeza, o contorno do rosto começava a mudar. Só então surgia a decisão de procurar um especialista.

Hoje, esse roteiro já não descreve a realidade de muitos consultórios.

Cada vez mais, adultos entre 25 e 35 anos buscam orientação quando os sinais do envelhecimento ainda são discretos — ou sequer se tornaram visíveis. Eles não chegam movidos pelo desejo de mudar a aparência, mas por uma pergunta que até pouco tempo atrás raramente fazia parte dessa fase da vida: como preservar a saúde da pele ao longo dos anos?

É uma mudança silenciosa, mas significativa. Pela primeira vez, uma geração parece compreender que envelhecer não começa quando a primeira ruga aparece diante do espelho. O processo é muito mais longo, influenciado pelos hábitos cotidianos, pela exposição ao sol, pela alimentação, pelo sono, pelo estresse e pela forma como cada pessoa cuida de si ao longo da vida.

Essa nova percepção vem alterando a conversa dentro dos consultórios. O foco deixa de ser corrigir marcas já instaladas e passa a ser preservar estruturas que ainda estão saudáveis. Em vez de recuperar perdas, a proposta é retardá-las. Mais do que buscar um rosto diferente, esses pacientes querem chegar aos 50 ou 60 anos reconhecendo a própria imagem.

A tendência observada no Brasil acompanha um movimento internacional. Dados divulgados pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram que, em 2024, quase 38 milhões de procedimentos estéticos cirúrgicos e não cirúrgicos foram realizados em todo o mundo, um crescimento superior a 40% em relação a 2020. Em diversas modalidades, adultos entre 18 e 34 anos já representam uma parcela expressiva desse público, indicando que o interesse pelos cuidados estéticos deixou de estar concentrado apenas nas faixas etárias mais avançadas.

Para a cirurgiã-dentista especialista em Harmonização Orofacial e estética regenerativa, Dra. Erika Kugler, a mudança é perceptível na rotina clínica e se intensificou nos últimos anos.

“Hoje os pacientes chegam muito antes do aparecimento de rugas profundas. Eles estão mais preocupados em manter a qualidade da pele, preservar a estrutura do rosto e envelhecer de forma saudável, em vez de tentar corrigir grandes perdas no futuro. É uma geração que entende que prevenção é muito mais eficiente do que reparação.”

A fala sintetiza um comportamento que vem se consolidando entre adultos jovens. O desejo de parecer mais novo perdeu espaço para outra preocupação: preservar.

Preservar a qualidade da pele. Preservar a produção natural de colágeno. Preservar o contorno do rosto. E, principalmente, preservar aquilo que faz cada pessoa continuar reconhecendo a própria imagem ao longo do tempo.

Essa mudança ajuda a explicar por que as principais queixas já não estão relacionadas, necessariamente, às rugas profundas. Nos consultórios, é cada vez mais comum ouvir relatos sobre perda de viço, linhas finas, manchas, poros aparentes, olheiras ou uma sensação de rosto constantemente cansado.

São alterações discretas. Mas suficientes para despertar uma percepção que até poucos anos atrás costumava surgir muito mais tarde: a de que a qualidade da pele também envelhece, mesmo quando o envelhecimento ainda não é evidente.

Essa consciência é resultado de diferentes transformações que ocorreram ao mesmo tempo. Nunca foi tão fácil acompanhar informações sobre saúde, longevidade e bem-estar. Nunca se falou tanto sobre proteção solar, colágeno, alimentação e prevenção. Ao mesmo tempo, nenhuma geração observou tanto o próprio rosto quanto esta.
A câmera frontal do celular, as chamadas de vídeo e as imagens em alta definição transformaram a própria imagem em companhia diária. O espelho deixou de ser o único lugar onde as pessoas observam o rosto. Hoje ele está no bolso, na tela do computador e nas redes sociais.

Segundo a Dra. Erika, essa mudança de comportamento ajuda a explicar por que pacientes cada vez mais jovens passaram a procurar orientação profissional antes do aparecimento dos sinais mais evidentes da idade.

“Hoje eles entendem que o envelhecimento começa muito antes de ficar visível.”

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