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IA nas escolas
Reprodução Freepik
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Educação – A presença cada vez maior da inteligência artificial (IA) no ambiente escolar está impulsionando debates sobre a necessidade de mudanças nos métodos de ensino adotados pelas instituições de educação. Especialistas afirmam que o principal desafio é adaptar um sistema ainda fortemente baseado na memorização de conteúdos e em avaliações tradicionais para uma realidade marcada pelo avanço das tecnologias digitais.

O tema ganhou destaque após a divulgação de uma prévia do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), que anunciou a inclusão do conceito de letramento em mídia e inteligência artificial em sua edição de 2029.

Novo PISA reforça importância da educação midiática

A partir de 2029, o PISA passará a avaliar competências ligadas ao chamado MAIL, sigla em inglês para letramento em mídia e inteligência artificial.

A proposta busca medir a capacidade dos estudantes de compreender, interpretar e utilizar tecnologias digitais de forma crítica, ética e responsável.

A mudança reflete uma preocupação crescente de educadores e organismos internacionais sobre a necessidade de preparar os jovens para um cenário em que ferramentas baseadas em IA fazem parte do cotidiano acadêmico e profissional.

Especialistas defendem revisão dos modelos de ensino

Segundo Ademar Celedônio, muitas escolas ainda enfrentam o que ele chama de “miopia do vestibular”, uma visão excessivamente focada em exames tradicionais como o Enem e os vestibulares.

Para o especialista, embora o desempenho nessas avaliações continue sendo importante, ele não pode ser o único parâmetro para medir o desenvolvimento dos estudantes.

Celedônio defende a ampliação do ensino de competências consideradas essenciais para o século XXI, como:

  • Pensamento crítico;
  • Resolução de problemas complexos;
  • Criatividade;
  • Colaboração;
  • Alfabetização digital;
  • Letramento em inteligência artificial.

Segundo ele, essas habilidades serão cada vez mais exigidas tanto na vida acadêmica quanto no mercado de trabalho.

Uso da IA desafia formas tradicionais de avaliação

A crescente utilização de ferramentas de inteligência artificial por estudantes também tem provocado reflexões sobre os modelos de avaliação adotados pelas escolas.

Para Camila Karino, o debate não deve se concentrar apenas em mecanismos para identificar alunos que utilizam IA em atividades escolares.

A especialista argumenta que a busca por maneiras de contornar avaliações sempre existiu, independentemente da tecnologia disponível em cada época.

Na avaliação dela, o avanço da inteligência artificial deve servir como um alerta para que educadores repensem práticas pedagógicas e criem modelos que valorizem o aprendizado real e o desenvolvimento de competências.

Projeto busca medir novas habilidades dos alunos

Com foco nesse cenário, a Arco Educação lançou o Programa Competências Globais, iniciativa voltada para ajudar escolas a avaliar competências amplas de aprendizagem.

A proposta inclui diagnósticos personalizados, capacitação pedagógica e elaboração de estratégias baseadas em dados para acompanhar o desenvolvimento dos estudantes.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o objetivo é permitir que as instituições tenham indicadores mais completos sobre habilidades que vão além do desempenho em provas tradicionais.

Educação deve acompanhar transformação tecnológica

Especialistas concordam que a inteligência artificial tende a provocar mudanças profundas no ensino nos próximos anos.

Mais do que uma ferramenta tecnológica, a IA está impulsionando uma discussão sobre como preparar estudantes para lidar com grandes volumes de informação, desenvolver pensamento crítico e utilizar recursos digitais de forma ética.

Nesse contexto, a inclusão de competências relacionadas à inteligência artificial no PISA é vista como um indicativo de que sistemas educacionais de todo o mundo precisarão adaptar suas práticas para atender às demandas das novas gerações.

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