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Brasil – A Justiça de Minas Gerais decidiu que a Netflix pode continuar cobrando taxa adicional de usuários que compartilham a conta com pessoas fora da mesma residência. A decisão foi tomada pela 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).
Com o entendimento, a plataforma mantém a política de cobrança para assinantes extras, atualmente no valor de R$ 12,90 por pessoa adicionada à conta principal.
Tribunal entende que cobrança não fere direitos do consumidor
O processo havia sido movido pelo Instituto Defesa Coletiva, que alegava que a prática seria abusiva e prejudicial aos consumidores.
Segundo a entidade, expressões utilizadas pela plataforma, como “assista onde quiser”, poderiam induzir clientes ao entendimento de que o compartilhamento seria liberado sem restrições.
No entanto, os desembargadores consideraram que a empresa atua dentro do princípio da liberdade contratual e que as regras de uso da plataforma podem ser definidas nos termos do serviço.
Na decisão, o TJ-MG concluiu que não houve violação dos direitos do consumidor nem propaganda enganosa.
Netflix restringiu compartilhamento há três anos
A política de cobrança por compartilhamento de senha começou a ser implementada pela Netflix no Brasil há cerca de três anos.
Desde então, a empresa passou a permitir o uso da conta apenas por pessoas que vivem na mesma residência do titular.
Usuários externos precisam ser adicionados como “assinantes extras”, mediante pagamento adicional.
Na época do lançamento da medida, a plataforma informou que pessoas da mesma casa poderiam assistir aos conteúdos “em qualquer lugar”, inclusive fora da residência, desde que vinculadas ao mesmo núcleo familiar.
Mudança gerou debate entre consumidores
A cobrança extra dividiu opiniões entre assinantes e especialistas em direitos do consumidor.
Parte do público criticou a medida, argumentando que o compartilhamento de senha sempre foi incentivado pela própria plataforma em campanhas publicitárias antigas.
Outros consumidores, porém, passaram a aceitar as novas regras diante do aumento de preços e das mudanças no mercado de streaming.
Na prática, a decisão da Justiça fortalece a estratégia adotada pela empresa para ampliar receitas em meio à concorrência crescente entre plataformas digitais.
Mercado de streaming vive disputa intensa
Nos últimos anos, serviços de streaming passaram por mudanças importantes:
- aumento nas mensalidades;
- planos com anúncios;
- restrições de compartilhamento;
- ampliação de catálogos exclusivos.
Empresas do setor buscam equilibrar crescimento financeiro e retenção de assinantes em um mercado cada vez mais competitivo.
A política da Netflix acabou servindo de referência para outras plataformas avaliarem medidas semelhantes.
Enquanto isso, o debate sobre consumo digital, direitos do usuário e limites contratuais continua crescendo nos tribunais e entre órgãos de defesa do consumidor.

