Escala 6x1 análise de PEC é adiada na Câmara
Reprodução da Câmara dos Deputados
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Política – A análise das propostas que tratam do fim da escala 6×1 foi adiada nesta quarta-feira (15) na Câmara dos Deputados. A decisão ocorreu após um pedido de vista coletiva na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mecanismo que concede mais tempo para os parlamentares avaliarem o conteúdo.

O adiamento mantém em suspenso um dos debates mais relevantes sobre relações de trabalho no país atualmente.

Pedido de vista interrompe discussão na CCJ

A análise das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) sobre a escala 6×1 chegou a ser iniciada, mas foi interrompida após o pedido feito pelos deputados Lucas Redecker (PSD-RS) e Bia Kicis (PL-DF).

O pedido de vista é um recurso regimental que permite aos parlamentares mais prazo para examinar os textos antes da votação.

Com isso, a tramitação fica temporariamente paralisada na comissão.

O que preveem as propostas em debate

Atualmente, duas PECs estão sob análise na CCJ:

  • A proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem redução salarial.
  • Já a proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) sugere a adoção da escala 4×3, com três dias de descanso por semana.

Ambas têm como objetivo substituir o modelo atual da escala 6×1, em que o trabalhador folga apenas um dia por semana.

O relator das propostas, deputado Paulo Azi (União-BA), apresentou parecer favorável às duas iniciativas.

Relator destaca impacto na qualidade de vida

No parecer, o relator argumenta que a redução da jornada pode contribuir para o bem-estar dos trabalhadores.

“A redução da jornada de trabalho pode se apresentar como um mecanismo normativo para a preservação da saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores”, afirmou.

Ele também apontou que jornadas extensas afetam principalmente mulheres, jovens e pessoas de baixa renda.

Debate envolve impactos econômicos e sociais

Embora haja apoio de parte dos parlamentares e movimentos sociais, o tema gera divergências.

Durante a sessão, representantes da sociedade civil presentes reagiram ao adiamento com manifestações contrárias ao pedido de vista.

Já críticos das propostas defendem maior análise sobre possíveis impactos econômicos, como custos para empresas e efeitos no mercado de trabalho.

Próximos passos no Congresso

Na CCJ, os deputados analisam apenas a constitucionalidade das propostas, e não o mérito.

Caso sejam aprovadas nessa etapa, as PECs ainda precisarão:

  • passar por uma comissão especial;
  • ser votadas em dois turnos na Câmara;
  • seguir para análise no Senado.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já indicou que, se houver avanço, será criada uma comissão específica para aprofundar o debate.

Governo também apresentou proposta alternativa

Paralelamente às PECs, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um projeto de lei que propõe mudanças mais moderadas.

A proposta do Executivo prevê:

  • jornada de 40 horas semanais;
  • adoção da escala 5×2;
  • manutenção dos salários.

Diferentemente das PECs, o projeto de lei precisa de sanção presidencial após aprovação no Congresso.

O adiamento da análise das PECs da escala 6×1 mostra que o tema ainda exige negociação política e aprofundamento técnico.

Enquanto diferentes propostas tramitam simultaneamente, o debate sobre jornada de trabalho segue aberto, envolvendo não apenas produtividade, mas também qualidade de vida e equilíbrio social.

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