|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Brasil – Uma operação conjunta realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pela Polícia Federal retirou 69 ararinhas-azuis de um criadouro privado localizado em Curaçá, no sertão da Bahia, após a identificação de um surto de circovírus no local. As aves foram transferidas para um espaço de quarentena na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE), como medida preventiva para evitar novos casos de contaminação.
A ação aconteceu na quarta-feira (27) e faz parte da segunda fase da Operação Blue Hope, iniciada em dezembro de 2025 para investigar o foco da doença no criadouro particular. O circovírus, responsável pela Doença do Bico e das Penas dos Psitacídeos, afeta espécies como araras, papagaios e periquitos e é considerado altamente contagioso entre aves da mesma família.
Operação busca proteger espécie ameaçada de extinção
A ararinha-azul é considerada uma das aves mais raras do mundo e já chegou a ser declarada extinta na natureza em 2000. Desde então, programas de conservação tentam reconstruir a população da espécie e reintroduzi-la no bioma da caatinga.
Segundo o ICMBio, ao menos 34 aves do criadouro já apresentaram diagnóstico positivo para o vírus. As 69 aves retiradas ainda passarão por exames nas próximas semanas para confirmar se permaneceram livres da infecção.
Além das ararinhas-azuis, duas maracanãs também foram transferidas. Essas aves costumam participar dos programas de reintrodução por ajudarem as ararinhas a desenvolver comportamentos adaptativos ao ambiente natural.
Falhas em protocolos motivaram ação
De acordo com órgãos ambientais, inspeções técnicas realizadas desde 2025 apontaram descumprimento de protocolos de biossegurança, incluindo falhas na desinfecção de ambientes, equipamentos e controle sanitário dos funcionários.
Após notificações anteriores, o criadouro recebeu multas que somam R$ 1,8 milhão. O ICMBio afirma que as irregularidades aumentaram o risco de disseminação do vírus entre aves ameaçadas.
Já a empresa responsável pelo espaço declarou ter recebido a operação com surpresa e afirmou que exames recentes indicaram resultados negativos para circovírus. Também informou que adotou medidas de biossegurança e que nenhuma ave morreu desde a implementação dos protocolos.
Espécie enfrenta longa trajetória de recuperação
A história recente da ararinha-azul é marcada por décadas de esforços de conservação. O tráfico ilegal, a destruição da caatinga e a baixa população levaram a espécie ao desaparecimento na natureza.
Nos últimos anos, projetos de reprodução em cativeiro e soltura controlada tentam restabelecer populações selvagens. O surgimento do circovírus, porém, representa novo obstáculo para programas de reintrodução.
Especialistas destacam que a retomada das solturas só deve ocorrer com aves comprovadamente livres da doença, reduzindo riscos para a sobrevivência da espécie.
O que é o circovírus?
O circovírus causa a chamada Doença do Bico e das Penas dos Psitacídeos. A enfermidade é crônica, não possui cura conhecida e pode provocar deformidades no bico, alterações nas penas, enfraquecimento imunológico e morte.
Apesar de não representar risco para humanos ou aves de produção, como galinhas, a doença é considerada uma das maiores ameaças sanitárias para espécies de psitacídeos em programas de conservação.

