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De brigas à conexão: Dicas de uma Advogada, Sexóloga e Analista Comportamental que já ajudou milhares de casais a resgatar a harmonia, a intimidade e a paixão no casamento.
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Olá queridos leitores, nada como o tema de uma paixão avassaladora pra fazer a gente suspirar no carnaval né?!

Sabe aquela sensação de que o seu mundo parou por causa de uma pessoa que você viu poucas vezes? Aquele frio no estômago que, em vez de passar, vira uma ansiedade constante toda vez que o celular vibra? Se você passa horas analisando a vírgula de uma mensagem de WhatsApp ou criando cenários de um futuro inteiro com alguém que mal sabe o seu sobrenome, sinto dizer: isso pode não ser amor. O nome disso é Limerência.

O termo, usado pela psicóloga Dorothy Tennov nos anos 70, está voltando com tudo agora para explicar o “curto-circuito” emocional que muitos de nós confundimos com a alma gêmea. Mas a verdade é menos romântica e muito mais biológica.

Limerência é o estado involuntário de paixão obsessiva, caracterizado por fixação, pensamentos intrusivos e desejo intenso de reciprocidade por um “objeto limerente”.

A limerência é considerada um crack do coração, não é uma escolha; é um estado cognitivo involuntário. Diferente do amor, que é construído na base da convivência e do conhecimento mútuo, a limerência sobrevive de incerteza.

É como um vício químico: seu cérebro é inundado por doses maciças de dopamina e norepinefrina. O “objeto de desejo” vira a “sua droga”. Se a pessoa te dá atenção, você toca as nuvens; se ela demora a responder, você entra em crise de abstinência. É uma montanha-russa onde o carrinho só sobe quando o outro valida a sua existência.

Amor x Limerência: Como saber em qual lado você está?

Para ajudar a clarear a visão, que costuma ficar bem embaçada nesse estado, trouxe algumas diferenças fundamentais:

No Amor: Você enxerga os defeitos da pessoa e escolhe ficar. Existe paz e segurança. O foco é na construção de algo real.

Na Limerência: Você ignora os sinais de alerta. Você está apaixonado por uma versão idealizada da pessoa, um personagem que você criou para preencher suas próprias carências.

Mas há uma reação fundamental na limerência, ela se alimenta de migalhas. Quanto menos a pessoa se entrega, mais a sua imaginação trabalha para compensar a falta. É o que chamamos de “relação fantasma”: você está vivendo um romance épico, mas ele está acontecendo, praticamente, só dentro da sua cabeça.

Enquanto o amor floresce na reciprocidade, a limerência floresce no mistério e na rejeição parcial.

E como sair desse transe?

Se você se identificou, o primeiro passo é o “choque de realidade”. A limerência é uma neblina que distorce os fatos e para dissipá-la, você pode seguir essas dicas:

Corte a fonte de dopamina, pare de stalkear. Cada foto nova no Instagram é uma recaída no vício.

Liste os fatos e não as sensações, escreva o que a pessoa realmente faz por você, não o que você sente que ela poderia fazer. O papel não aceita as fantasias da sua mente.

Entenda o vazio e pergunte-se: “O que essa obsessão está me impedindo de encarar na minha própria vida?”. Muitas vezes, a limerência é uma fuga de nós mesmos.

O amor de verdade é um porto seguro, não uma corda bamba. Se a “paixão” te deixa exausto e ansioso, talvez seja hora de parar de sonhar e voltar para o chão da realidade.

Ninguém resiste a uma boa e velha paixão, mas é fundamental saber o limite entre o desejo e a obsessão para não transformar um encontro em um campo de batalha mental.

A paixão deve ser um tempero para a vida, não o prato principal que te consome e te adoece… O limite entre a paixão e a obsessão é onde você começa a se perder de si mesmo para tentar se encontrar no outro, mas no fim do dia, o amor que cura é aquele que nos traz paz, e não aquele que nos transforma em reféns da nossa própria imaginação. Apaixone-se, sim, mas nunca a ponto de esquecer quem é o protagonista da sua própria história.

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